Cade abriu processo para investigar suspeita de alinhamento de tarifas entre Gol e Latam. (Foto: Wagner Assis)O Cade abriu processo administrativo para investigar suspeita de alinhamento de preços de passagens aéreas entre Gol e Latam no mercado doméstico brasileiro. A apuração mira rotas de grande relevância comercial e avança após o órgão identificar indícios considerados robustos de possível infração à ordem econômica. As duas empresas serão notificadas e terão 30 dias para apresentar defesa.
A investigação aprofunda um caso que já estava em análise desde 2023. O ponto central da suspeita está na semelhança dos valores cobrados pelas companhias, principalmente na ponte aérea Rio-São Paulo, um dos trechos mais estratégicos da aviação nacional. A decisão final caberá ao tribunal do Cade, após a fase de instrução do processo.
Segundo a área técnica do órgão, há indícios de que mecanismos de precificação possam ter reduzido a competição efetiva entre as empresas. O relatório menciona a possibilidade de coordenação algorítmica, com uso de ferramentas capazes de processar os mesmos dados de inventário de voos e de demanda de passageiros. Na prática, a avaliação é de que esse tipo de sistema pode favorecer a estabilização de tarifas em patamares elevados.
A investigação também aponta que Gol e Latam firmaram contratos com a mesma empresa de precificação. Para o Cade, em um mercado com poucos competidores e alta transparência nos preços, esse tipo de arranjo pode ampliar o risco de alinhamento de estratégias comerciais. O alerta ganha peso porque a aviação doméstica opera em um ambiente no qual reajustes podem ocorrer de forma quase instantânea.
As duas companhias rejeitam qualquer irregularidade. A Gol afirmou que já prestou todas as informações solicitadas e disse que sempre defendeu a livre concorrência e a liberdade tarifária. A Latam também negou qualquer postura contrária à concorrência e declarou que atua com base em práticas de compliance, transparência e integridade.
O caso coloca sob análise um tema sensível para o consumidor, que sente diretamente o efeito de tarifas elevadas em rotas de grande demanda. Mais do que discutir a formação de preços, a investigação do Cade abre uma nova frente sobre os limites do uso de algoritmos em mercados concentrados. Se o processo avançar, o debate pode alcançar não apenas as empresas envolvidas, mas o próprio modelo de precificação usado no setor aéreo.
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