Estudo aponta que o calor extremo esteve associado a mais de 120 mil mortes no Brasil em duas décadasAs ondas de calor provocaram mais de 120 mil mortes no Brasil entre 2000 e 2019, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (17) pela Fiocruz e pela Universidade Federal da Bahia. A pesquisa analisou dados de mortalidade por doenças do aparelho circulatório e cardiovascular em 5.566 municípios e apontou associação consistente entre calor extremo e aumento de óbitos no país.
O levantamento mostra que os efeitos do calor não atingem a população de forma igual. Os grupos mais afetados foram idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade, o que reforça o peso das desigualdades sociais no impacto das mudanças climáticas sobre a saúde.
Além da mortalidade, os pesquisadores também identificaram aumento do risco de internações no Sistema Único de Saúde. Os casos mais recorrentes envolvem doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e problemas do sistema urinário, como insuficiência renal, em quase todas as regiões do Brasil.
O estudo indica que o estresse térmico sobrecarrega funções cardiorrespiratórias, agrava doenças já existentes e favorece quadros de desidratação e disfunção renal. Em crianças, o efeito mais frequente foi a ocorrência de diarreia, associada à maior vulnerabilidade à desidratação e às alterações provocadas pelo calor na qualidade da água e no armazenamento de alimentos.
Entre os idosos, os pesquisadores observaram maior sensibilidade a doenças respiratórias, renais e metabólicas, como diabetes. Nessa faixa etária, as ondas de calor muito intensas podem acelerar o agravamento de quadros cardiorrespiratórios e levar a situações graves em pouco tempo.
A pesquisa também mapeou diferenças regionais. As ondas de calor foram mais frequentes, longas e persistentes no Norte e no Centro-Oeste. Já os episódios mais intensos, com temperaturas muito acima da média local, foram registrados no Sul e no Sudeste.
Outro dado destacado pelos pesquisadores é que a maior parte dos municípios brasileiros apresentou tendência de aumento tanto na frequência quanto na intensidade das ondas de calor ao longo do período analisado.
Diante desse quadro, os autores defendem medidas como monitoramento contínuo, sistemas de alerta antecipado, orientação à população e reforço da capacidade de resposta do SUS. O estudo também recomenda incorporar informações climáticas de forma mais sistemática à vigilância epidemiológica e ambiental, para antecipar riscos e preparar ações preventivas.
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