Tela do programa Desenrola Brasil em computador; nova edição busca renegociar débitos em Mato Grosso do Sul, onde 1,29 milhão de pessoas estão inadimplentes e as dívidas somam R$ 10,55 bilhões.
Mato Grosso do Sul vive um cenário difícil para muitas famílias. Dados da Serasa de março de 2026 mostram que 1.291.935 pessoas estão inadimplentes, com quase 6 milhões de dívidas que somam 10,55 bilhões de reais. O crescimento em relação ao fim de 2025 é significativo, quando o estado tinha cerca de 1,26 milhão de inadimplentes e 9,92 bilhões de reais em dívidas.
Em média, cada pessoa inadimplente deve 8.169 reais, e cada dívida tem valor médio de 1.779 reais. Aproximadamente 60% dos adultos de Mato Grosso do Sul estão com o nome sujo, bem acima da média nacional, que é de 49 a 50%.
Na capital, Campo Grande, o problema é ainda maior. São 498.860 pessoas inadimplentes, quase 60% dos adultos, com 2,6 milhões de dívidas que somam 4,75 bilhões de reais. O valor médio por pessoa na cidade é 9.534 reais, 17% maior que a média do estado.
Os principais motivos de endividamento, segundo a Serasa, são desemprego e perda de renda, que aparecem em 38% dos casos. Em seguida vêm gastos de emergência (16%), descontrole financeiro (13%), ajuda a familiares ou amigos (10%) e atraso no pagamento de contas básicas (7%).
Entre as dívidas bancárias, o cartão de crédito é o mais comum, representando 73% do total. Cerca de 37% dos inadimplentes têm dívidas acima de 10 mil reais e 36% convivem com elas há mais de dois anos. Em seguida aparecem crédito pessoal e cheque especial. O setor financeiro como um todo responde por quase metade das dívidas no estado, enquanto em 2018 representava 38%. Segundo a Serasa, esse aumento está ligado à digitalização do crédito, que facilita o acesso a cartões e empréstimos, mesmo para quem tinha histórico limitado.
Para ajudar os consumidores a retomar o controle financeiro, começou nesta terça-feira (05), a nova edição do Desenrola 2.0. O programa oferece descontos médios de 65%, com algumas negociações chegando a 90%, prazos mais longos e juros reduzidos. Entre os participantes estão bancos como Santander, Itaú, Bradesco, Banco Pan, BV, Nubank, BMG e Neon. Uma novidade é a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas, recurso que pode ajudar, mas também compromete a principal reserva financeira de muitas famílias.
O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande, Adelaido Vila, alerta que o programa ajuda a limpar o nome, mas não resolve o problema de base. Ele explica que o crédito fácil e os juros altos continuam gerando novas dívidas, e que o uso do FGTS deixa as famílias sem proteção financeira.
A diretora da Serasa, Aline Maciel, reforça que o perfil do endividamento mudou desde a pandemia. Hoje, o setor financeiro representa 47% das dívidas, contra 38% em 2018, principalmente devido à digitalização do crédito, que facilitou o acesso a empréstimos e cartões para consumidores com menor histórico financeiro.
O Desenrola 2.0 busca reduzir os efeitos sociais e econômicos do endividamento, permitindo que os consumidores renegociem dívidas, recuperem o acesso ao crédito e pratiquem consumo consciente. Especialistas alertam, porém, que sem medidas estruturais de geração de emprego e educação financeira, o ciclo de endividamento tende a se repetir.
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