Foram vendidos 14,75 bilhões de litros de cerveja em 2025, queda de 5,1% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) (Foto: Wasan/Adobe Stock)
Depois de um ano considerado atípico pela própria indústria, o mercado de cerveja no Brasil tenta reagir em 2026 com a expectativa de aumento no consumo impulsionado pela Copa do Mundo e por temperaturas mais elevadas.
Em 2025, o setor registrou retração. Foram vendidos 14,75 bilhões de litros de cerveja, queda de 5,1% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja. Dados do IBGE também apontam recuo de 4,7% na produção de bebidas alcoólicas no período.
O desempenho foi pressionado por fatores como clima mais frio ao longo do ano, renda mais limitada e redução das ocasiões de consumo. Em dezembro, mês tradicionalmente forte para o setor, houve queda de 5% no volume na comparação anual, resultado apontado por analistas como o pior para o período desde 2004.
Para 2026, a expectativa é de recuperação, ainda que gradual. A realização da Copa do Mundo entre junho e julho é vista como um dos principais motores para impulsionar as vendas. Durante o evento, cerca de 12,5% dos gastos da cesta de consumo tendem a ser destinados à cerveja, segundo a NielsenIQ.
Impacto direto
Além do aumento no consumo, o período costuma elevar o fluxo em pontos de venda e o ticket médio de categorias relacionadas, com crescimento estimado de 24% na véspera das partidas, conforme dados da Scanntech.
O formato do torneio deste ano também é considerado favorável, com jogos à noite e aos fins de semana, o que pode estimular encontros em bares e também o consumo dentro de casa. Atualmente, 57,2% do consumo de cerveja no país ocorre no ambiente doméstico, enquanto 42,8% acontece fora do lar, segundo a Worldpanel.
Apesar da expectativa positiva, o setor não vê o evento como solução definitiva. A projeção é de uma retomada moderada, com crescimento estimado em pelo menos 1% no volume ao longo do ano.
Alterações no mercado consumidor
Outro fator que influencia o mercado é a mudança no comportamento do consumidor. A indústria observa uma busca maior por produtos com menor teor alcoólico, menos calorias e opções consideradas mais alinhadas ao estilo de vida. Entre jovens da geração Z, 30% afirmam preferir bebidas mais saudáveis, e uma parcela já opta por alternativas com pouco ou nenhum álcool.
Os preços também seguem em alta. Em janeiro, o IPCA-15 apontou aumento de 5,4% no valor da cerveja, acima da inflação geral. Ao mesmo tempo, os custos de produção continuam pressionados, com alta nos preços de insumos como alumínio e grãos.
Segundo análises do setor financeiro, embora haja maior estabilidade nos preços, a demanda ainda mostra fragilidade, o que limita uma recuperação mais rápida dos volumes.
Diante desse cenário, a indústria aposta na combinação entre eventos de grande apelo e adaptação ao novo perfil de consumo para tentar reverter parte das perdas registradas no ano anterior.
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