Concha y Toro criou a Viña Amelia para ampliar presença no mercado de vinhos premium e apostar em rótulos de maior valor. (Foto: Agencia Tundra/Viña Concha y Toro)A chilena Viña Concha y Toro anunciou a criação de uma nova vinícola voltada exclusivamente ao mercado premium, em mais um movimento para disputar espaço em uma faixa de preço que cresce no Brasil e ainda representa um desafio para os rótulos chilenos. Batizada de Viña Amelia, a nova operação nasce com foco em duas uvas, chardonnay e pinot noir, e passa a funcionar como filial independente do grupo, com produção concentrada no vale do Limarí, no norte do Chile.
A decisão mostra uma mudança de estratégia da maior produtora de vinhos do Chile, que busca fortalecer presença em garrafas de maior valor agregado, especialmente aquelas vendidas ao consumidor brasileiro acima de R$ 100. Em comunicado de lançamento, o diretor-geral da companhia, Eduardo Guilisasti, afirmou que a nova vinícola reflete a convicção de que o futuro dos vinhos de alta gama passa por especialização, origem e identidade.
Até agora, a marca Viña Amelia existia como uma linha premium dentro do portfólio da empresa. Com a mudança, passa a ter estrutura própria, ainda que com escala limitada. A produção anual média é de 4,8 mil caixas de nove litros, restrita às variedades chardonnay e pinot noir, com destaque para o vinhedo Quebrada Seca, apontado como um dos ativos centrais da nova fase. Para comandar a operação, a companhia promoveu o enólogo Marcelo Papa, que seguirá também como diretor técnico da própria Concha y Toro.
O movimento repete uma fórmula já usada pela empresa com outro de seus rótulos mais valorizados. Em 2019, a Concha y Toro transformou o Don Melchor em uma vinícola autônoma, separando a marca do restante da operação e dando mais liberdade para a definição de estratégias de negócio.
Agora, a tentativa é repetir esse ganho de valor com uma vinícola menor, especializada e ancorada em identidade de origem, conceito que tem crescido entre consumidores de rótulos premium. A empresa pretende explorar justamente as condições de solo e clima da região de Limarí para diferenciar a Viña Amelia em um mercado em que origem e narrativa do produto passaram a ter peso cada vez maior.
O pano de fundo dessa aposta é uma mudança mais ampla no mercado. Segundo Felipe Galtaroça, CEO da consultoria Ideal.BI, o segmento premium é justamente a faixa em que a Concha y Toro ainda tem espaço para crescer, apesar de sua liderança no Chile. Ao Estadão, ele afirmou que a categoria é a que mais avança em vendas. No Brasil, esse segmento cresceu 10% em volume no ano passado, na comparação com 2024, puxado principalmente por rótulos franceses.
O Chile lidera as importações de vinho no Brasil, com 41,8% do total, o equivalente a 8,7 milhões de caixas de nove litros e US$ 214 milhões em vendas no ano passado. Ainda assim, quando o corte é feito por faixa de preço, os vinhos acima de R$ 100 representam apenas 18% do total exportado pelos chilenos ao mercado brasileiro, bem abaixo da média geral dos demais países, que chega a 30%. A leitura do setor é que o país andino ainda precisa fortalecer sua presença nas categorias mais caras, apesar do bom desempenho nas faixas de menor valor.
Nesse cenário, o Brasil aparece como peça central para os planos da empresa. O mercado brasileiro responde por 7,9% das vendas globais da Viña Concha y Toro, sendo o quarto maior da companhia, atrás apenas de Reino Unido, Estados Unidos e Chile. Em 2025, a empresa registrou crescimento global de receita de 1,7%, alcançando US$ 1,1 bilhão, com 12 mil hectares de vinhedos distribuídos entre Chile, Argentina e Estados Unidos.
Ao criar uma nova vinícola focada em nicho e valor agregado, a Concha y Toro tenta ocupar um espaço que se mostra cada vez mais estratégico no mercado internacional do vinho, e faz isso olhando para um consumidor que já conhece os rótulos chilenos, mas passou a exigir mais diferenciação nas prateleiras.
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