Oscar Schmidt recebeu elogios de lendas da NBA e entrou para o Hall da Fama do basquete mesmo sem atuar na liga americana. (Foto: Instagram)A morte de Oscar Schmidt, nesta sexta-feira, 17, recolocou em evidência não só o tamanho de sua trajetória no basquete brasileiro, mas também o reconhecimento que conquistou entre algumas das maiores lendas da NBA, mesmo sem ter atuado na principal liga do mundo. Ídolo da seleção brasileira, o ‘Mão Santa’ construiu uma carreira que atravessou fronteiras, ganhou respeito internacional e fez seu nome ser reverenciado por astros como Kobe Bryant, Magic Johnson, Shaquille O’Neal, Rick Barry e Larry Bird.
Oscar morreu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, segundo o texto original, e deixa um legado raro no esporte. Ao longo dos anos, sua história ganhou um peso particular nos Estados Unidos justamente por contrariar a lógica mais comum do basquete mundial. Mesmo sem jogar na NBA, ele entrou para o Hall da Fama do basquete em 2013, em Springfield, nos Estados Unidos, feito que ajuda a medir a dimensão de sua carreira fora do país.
Entre os admiradores de Oscar estava Kobe Bryant, um dos maiores nomes da história do Los Angeles Lakers. Em 2013, antes do All-Star Game de Houston, Kobe lembrou a influência do brasileiro em sua formação como fã e jogador, citando a época em que viveu na Itália. “Cresci na Itália, assistindo aos jogos de Oscar Schmidt, e ele se tornou um ídolo. Não era tão conhecido nos Estados Unidos, mas era um jogador excelente. Conversei com ele durante a Olimpíada. Realmente gostava de vê-lo jogar quando era criança”, afirmou. A declaração ajuda a mostrar como Oscar era visto por quem cresceu acompanhando o basquete europeu e internacional, longe do circuito tradicional da NBA.
Shaquille O’Neal, outro gigante da liga americana, também já fez elogio público à pontaria de Oscar. Dono de quatro títulos da NBA, Shaq resumiu em uma frase o respeito pelo brasileiro ao dizer: “Se eu fosse bom em lances livres, seria Oscar Schmidt”. A fala é curta, mas simbólica, porque parte justamente de um dos pivôs mais dominantes da história para reconhecer a marca registrada do ex-jogador brasileiro, a precisão nos arremessos.
Outro nome histórico que vinculou a memória de Oscar a um dos momentos mais emblemáticos do basquete brasileiro foi Magic Johnson. O ex-armador dos Lakers declarou que se tornou amigo de Oscar depois da final do Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, quando o Brasil venceu os Estados Unidos em casa. “Lembram quando o Brasil venceu os EUA no Pan e Oscar anotou 46 pontos? Inacreditável! Nos tornamos amigos”, disse Magic. A lembrança reforça o peso daquela atuação para a história do esporte e para a projeção internacional do brasileiro.
Oscar Schmidt com “Magic” Johnson, em visita do ídolo dos Lakers ao Brasil na década de 1990 (Foto: Vanderlei Almeida)
A atuação no Pan de 1987 também foi destacada por Rick Barry, integrante da lista dos 50 maiores jogadores da NBA e também membro do Hall da Fama. Ao comentar o desempenho de Oscar naquela final, Barry afirmou que a principal recomendação a qualquer equipe seria nunca deixá-lo livre. “Eu falava ‘se eu treinasse o time, eu falaria para meus jogadores: se você marcar o Oscar, nunca largue ele. Você marca ele, eu não ligo para o que acontecer, para quem irá atacar o aro, você deixa a bola longe das mãos dele o máximo que conseguir’. E o que aconteceu? Eles largaram ele na defesa e o Oscar começou a simplesmente acabar com o jogo”, disse.
Se a admiração de nomes como Kobe, Magic e Shaq ajuda a explicar o alcance do legado de Oscar, a relação com Larry Bird acrescenta um capítulo ainda mais simbólico. Bird foi um dos responsáveis por apresentá-lo na cerimônia de entrada no Hall da Fama do basquete, em 2013. Na ocasião, o ex-jogador dos Celtics afirmou: “Acompanhei toda a carreira dele e esperava que ele jogasse na NBA para que eu pudesse competir contra ele ou com ele. Ele teve uma carreira incrível. Fiquei muito honrado quando ele me pediu para apresentá-lo em sua cerimônia de entrada no Hall da Fama do Basquete Naismith Memorial”.
A ausência de Oscar na NBA, longe de enfraquecer sua história, se tornou um dos elementos mais particulares de sua trajetória. Em 1984, ele foi recrutado pelo New Jersey Nets, hoje Brooklyn Nets, mas para atuar nos Estados Unidos precisaria deixar de defender a seleção brasileira. Anos depois, em entrevista ao Estadão, relembrou a decisão de forma direta. “Para mim, a seleção era a coisa mais importante que havia na minha vida. Por isso que falei não para a NBA. O que mais queria ver era os brasileiros comemorando”, afirmou.
A escolha ajudou a moldar sua imagem como um atleta profundamente identificado com a camisa do Brasil e com momentos históricos da seleção. Além do ouro no Pan de 1987, Oscar foi campeão sul-americano três vezes, em 1977, 1983 e 1985, e conquistou medalha de bronze no Mundial das Filipinas de 1978, no Pan de San Juan de 1979 e na Copa América do México de 1989. O conjunto desses resultados, somado à dimensão simbólica que alcançou, explica por que seu nome se manteve relevante dentro e fora do país.
No fim, o reconhecimento vindo das maiores estrelas da NBA ajuda a contar uma parte essencial da história de Oscar Schmidt. Ele não precisou vestir a camisa de uma franquia americana para ser reverenciado por alguns dos maiores jogadores de todos os tempos. Fez isso pela força de sua carreira, pelo impacto de suas atuações e pela impressão que deixou em quem entende o jogo em seu mais alto nível.
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