Companhias aéreas querem autorização para operar em Congonhas após as 23h em casos excepcionais. (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)As companhias aéreas que operam em Congonhas pediram à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorização para realizar pousos e decolagens após as 23h (horário de Brasília) em situações excepcionais. O pedido foi encaminhado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que defende a medida como forma de reduzir atrasos, cancelamentos e prejuízos quando há incidentes que afetam a operação do aeroporto.
A proposta das empresas não prevê mudança permanente nesse limite, mas a criação de uma flexibilização pontual, de até uma hora, para permitir a conclusão de operações já comprometidas por problemas como panes, mau tempo ou outras ocorrências com efeito em cadeia na malha aérea.
A Anac confirmou que recebeu o ofício da Abear e informou que o tema está em análise pela diretoria colegiada. Segundo a agência, o pedido trata de uma extensão excepcional e pontual do horário de funcionamento do aeroporto em situações extraordinárias.
A Abear representa companhias como Latam, Gol e Azul. Segundo as empresas, a medida ajudaria a amenizar impactos nacionais quando um problema localizado em Congonhas provoca reflexos em toda a rede aérea do país. A avaliação do setor é que uma hora extra, em casos específicos, pode evitar o acúmulo de voos cancelados e reduzir transtornos para os passageiros.
A concessionária Aena, responsável pelo aeroporto, informou que a prorrogação do horário operacional já ocorre apenas em situações excepcionais, geralmente ligadas a eventos meteorológicos adversos ou falhas que afetam fortemente a malha aérea. Nesses casos, o pedido parte das companhias aéreas, passa pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e, depois, chega ao operador aeroportuário, que avalia se há condições de infraestrutura para autorizar a extensão.
Um caso recente reforçou o argumento das empresas. Em 9 de abril, Congonhas foi autorizado a operar até a meia-noite após uma pane que interrompeu voos pela manhã. Segundo dados da Abear, o problema levou ao cancelamento de 178 voos e à alteração de outros 22, afetando mais de 38 mil passageiros. O prejuízo operacional estimado foi de R$ 10 milhões.
Pela proposta apresentada, o horário flexível só seria usado quando o impacto atingisse mais de 600 passageiros. O setor afirma que a mudança não ampliaria a capacidade do aeroporto, mas serviria apenas para concluir operações em andamento e evitar efeitos em cascata no sistema aéreo nacional.
A discussão, porém, esbarra em uma limitação histórica. Congonhas tem restrição para operações noturnas desde a década de 1970 por causa da poluição sonora no entorno. As regras atuais, que fixam o encerramento de pousos e decolagens às 23h, foram definidas pela Anac em 2008 justamente para reduzir os impactos sobre uma área densamente povoada da capital paulista.
A Prefeitura de São Paulo informou que ainda não foi oficialmente comunicada sobre a proposta. Disse também que, se houver formalização, o tema será analisado pelos órgãos técnicos, com base na legislação e no interesse público.
O pedido das companhias abre uma nova frente de debate sobre o equilíbrio entre eficiência operacional e impacto urbano. De um lado, o setor aéreo defende uma saída para reduzir prejuízos e transtornos em dias de crise. De outro, qualquer flexibilização em Congonhas toca num ponto sensível: o limite entre a necessidade de manter a malha funcionando e o direito ao sossego de quem vive no entorno do aeroporto.
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