Relatório aponta que o Brasil abriga mais de 2 milhões de imigrantes e refugiados de 200 nacionalidades. (Foto: Divulgação)O Brasil abriga atualmente pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de refúgio, segundo dados apresentados nesta quinta-feira, 30 de abril, em Brasília, no 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais, o OBMigra. O levantamento aponta a presença de pessoas de 200 nacionalidades em todas as unidades da federação, com maior peso de venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos.
Entre os grupos mais numerosos, os venezuelanos aparecem à frente. A estimativa é de que 680 mil vivam no Brasil no início de 2026, com predominância de mulheres e crianças de até 14 anos. O relatório foi apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e traz recomendações para ampliar a integração dessa população em áreas como trabalho, educação, assistência social e gestão local.
O estudo também serve de base para a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, editada no fim de 2025. O documento analisa a entrada desses grupos no país, a distribuição por estados, o perfil por sexo e idade e os caminhos de regularização migratória.
Na área do trabalho, os dados mostram crescimento de 54% no número de imigrantes com carteira assinada entre 2023 e 2025. Em 2025, o total de vínculos formais superou 414,9 mil. Desse contingente, 43% estavam concentrados na produção industrial, especialmente no setor de abate de animais na Região Sul. O relatório ainda aponta aumento de 68% nos pedidos de residência para trabalho entre 2022 e 2024, movimento que, segundo o Ministério da Justiça, acompanha a maior demanda por mão de obra migrante no país.
Os venezuelanos lideram também no mercado formal, com mais de 201 mil trabalhadores registrados em 2025. Na sequência aparecem os haitianos, com 51,2 mil, e os cubanos, com 30,7 mil. Apesar disso, o relatório chama atenção para a subutilização de profissionais com ensino superior, muitos deles em postos de baixa qualificação e baixa renda.
Na proteção social, o número de migrantes inscritos no Cadastro Único subiu de 562.687, em 2023, para 650.683, em 2024. A maioria é formada por mulheres, que representam 55,6% do total. Também houve crescimento entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, que passaram de 159.011 para 188.531 no período. O estudo aponta que esse avanço amplia a presença de famílias migrantes no sistema de assistência social e exige maior articulação entre políticas públicas voltadas à infância, educação e acolhimento.
Os estados com maior número de migrantes cadastrados são São Paulo, com 140.033 registros, Paraná, com 102.046, e Roraima, com 86.845. Santa Catarina e Rio Grande do Sul também aparecem entre os principais destinos.
Na educação, o levantamento registra aumento de 437% nas matrículas de estudantes imigrantes na educação básica entre 2010 e 2024, passando de 41.916 para 224.924. No ensino superior, o crescimento foi de 77,5% entre 2010 e 2023, chegando a 29.635 matriculados. Mesmo assim, o estudo aponta entraves relacionados à inclusão linguística, à adaptação pedagógica e à estrutura das redes locais de ensino.
O relatório ainda defende maior cooperação entre União, estados e municípios para garantir atendimento mais efetivo à população migrante. A avaliação é de que a política migratória depende de estrutura permanente nos serviços públicos, com capacidade para atender imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio em todo o país.
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