A Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul (Nelore-MS) manifestou preocupação com o anúncio da União Europeia sobre possíveis restrições à importação da carne brasileira. Em posicionamento assinado pelo presidente da entidade, Paulo Matos, a associação afirmou que o tema deve ser conduzido com “seriedade, responsabilidade técnica e equilíbrio”.
A avaliação da entidade ocorre em meio ao debate sobre exigências sanitárias e comerciais aplicadas ao comércio internacional de proteína animal. Para a Nelore-MS, o Brasil construiu, nas últimas décadas, uma cadeia pecuária com avanços em genética, sanidade, rastreabilidade, produtividade e sustentabilidade, atendendo mercados externos com diferentes protocolos de controle.
Segundo Paulo Matos, o país já opera um dos maiores sistemas de produção de proteína animal do mundo e ocupa posição estratégica no fornecimento global de alimentos. A entidade sustenta que a pecuária brasileira atende compradores com regras sanitárias rígidas e que eventuais mudanças de acesso a mercados precisam ter base técnica, previsibilidade e diálogo institucional.
A rastreabilidade aparece como um dos pontos centrais do posicionamento. A Nelore-MS informou que defende a ampliação dos mecanismos de controle do rebanho brasileiro, por entender que o futuro da pecuária mundial será orientado por transparência, controle sanitário, tecnologia e segurança alimentar.
Paulo Matos afirmou que o produtor brasileiro está disposto a avançar nesse processo e já realiza investimentos em adequação produtiva. A entidade pondera, no entanto, que a implantação de sistemas amplos de rastreabilidade envolve custos, estrutura pública, integração entre órgãos e segurança jurídica.
“Não é possível transferir toda essa responsabilidade exclusivamente para quem produz”, declarou o presidente da Nelore-MS.
No comunicado, a associação também citou os avanços do país em sanidade animal. A entidade afirma que o Brasil acumulou décadas de investimentos em vigilância epidemiológica, controle sanitário e atualização de protocolos produtivos. O texto também menciona a recuperação de pastagens, a integração de sistemas produtivos, a eficiência alimentar e a redução de impactos ambientais como frentes de evolução da pecuária nacional.
A Nelore-MS afirmou respeitar o direito de cada mercado de estabelecer regras sanitárias próprias. Ao mesmo tempo, a entidade declarou que parte das exigências internacionais pode ultrapassar o campo técnico e assumir caráter de barreira comercial contra a carne brasileira.
“A Nelore-MS respeita o direito de cada mercado estabelecer suas regras sanitárias”, afirmou Paulo Matos. “Porém, considera necessário destacar que, muitas vezes, determinadas exigências ultrapassam a esfera técnica e acabam se transformando em barreiras comerciais à competitividade do agro brasileiro.”
A entidade também relacionou a discussão à diferença de custos entre sistemas produtivos. Para a associação, a carne brasileira tem presença internacional porque o produtor opera com escala, tecnologia e eficiência. Esse desempenho, segundo o posicionamento, amplia a concorrência em mercados onde a produção tem custos mais elevados.
Embora reconheça a União Europeia como mercado de peso para cortes de maior valor, a Nelore-MS afirma que o bloco não é o principal destino da carne brasileira. A associação sustenta que a proteína produzida no país segue reconhecida por outros compradores internacionais e que o Brasil mantém papel de abastecimento em diferentes regiões do mundo.
O comunicado também aborda a imagem do produtor rural brasileiro no debate ambiental e sanitário. A entidade afirma que o setor não deve ser tratado como responsável por problemas que envolvem cadeias complexas, políticas públicas, fiscalização, comércio exterior e modelos regulatórios.
“O produtor rural brasileiro não pode continuar sendo tratado como vilão ambiental ou sanitário enquanto sustenta uma das cadeias produtivas mais relevantes da economia nacional”, declarou Paulo Matos.
A Nelore-MS citou ainda os efeitos econômicos da pecuária sobre empregos, indústria, comércio, máquinas, veículos, tecnologia e municípios ligados à produção agropecuária. Para a entidade, medidas comerciais que atinjam a carne brasileira têm reflexos além das fazendas, alcançando diferentes segmentos da economia.
A associação informou que continuará defendendo o aprimoramento dos protocolos sanitários e da rastreabilidade como forma de ampliar a credibilidade da pecuária brasileira no mercado internacional. A entidade também defende respeito ao produtor, à soberania produtiva nacional, ao direito de propriedade e à livre concorrência no comércio global de alimentos.
“O mundo precisa de alimentos, e o Brasil continuará sendo protagonista nessa missão”, afirmou Paulo Matos.
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