Avibrás retomou a produção em São José dos Campos após quatro anos de paralisação. (Foto: Avibrás Aeroco)A Avibrás anunciou nesta quinta-feira, (30), a retomada de suas operações industriais em São José dos Campos, no interior de São Paulo, após quatro anos de paralisação. Em recuperação judicial desde 2022, a empresa volta à atividade com novo nome, Avibrás Aeroco, depois de encerrar uma greve que durou 1.281 dias, renegociar dívidas trabalhistas e contratar cerca de 300 funcionários para reiniciar a produção de foguetes, mísseis e veículos militares.
A retomada foi viabilizada por um funding de R$ 300 milhões levantado com investidores privados pelo Fundo Brasil Crédito, atual administrador da empresa e também principal credor da recuperação judicial. Entre os participantes está o empresário Joesley Batista, controlador da J&F, que assinou contrato para entrar na operação financeira que sustenta a nova fase da companhia.
Segundo o diretor-presidente Sami Hassuani, a Avibrás Aeroco reúne os ativos estratégicos e o portfólio tecnológico da antiga Avibrás Indústria Aeroespacial. Em comunicado, a empresa afirmou que inicia suas atividades com nova estrutura de governança, operação e base financeira, numa tentativa de marcar distância da crise que levou ao processo de recuperação judicial.
O plano original de reestruturação previa mais R$ 300 milhões em recursos públicos, além do capital privado já obtido, mas o Fundo Brasil Crédito decidiu seguir com a retomada da produção mesmo sem esse segundo bloco de financiamento. A empresa atua no desenvolvimento e fabricação de sistemas de defesa e soluções espaciais civis, incluindo mísseis, foguetes, veículos especiais e lançadores espaciais.
Entre os principais ativos da companhia está o sistema Astros, usado pela artilharia do Exército e exportado para mais de dez países, entre eles Indonésia e Malásia. A nova empresa deve manter a parceria com o Escritório de Projetos do Exército para concluir o desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro MTC-300, que, segundo o texto, já está 90% concluído e depende apenas da campanha de tiro. Também está em andamento o projeto do Míssil Tático Balístico S+100, com potencial de venda no mercado externo.
A retomada da Avibrás ocorre em um momento em que o setor de defesa ganha peso estratégico. O texto cita que a sobrevivência da empresa era considerada relevante pelo Ministério da Defesa, num cenário internacional de instabilidade e com contratos ainda mantidos com o Exército e a Força Aérea. A aposta é que investimentos previstos na Lei Complementar 221, que autorizou a exclusão de até R$ 30 bilhões em despesas com projetos estratégicos de defesa do arcabouço fiscal até 2031, ajudem a sustentar a nova fase da companhia.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Mídia MS no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.





