Na reta final antes da convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, Neymar e Endrick vivem momentos distintos dentro e fora de campo. Os dois estão no centro das discussões sobre quem merece lugar na lista que será divulgada em 18 de maio, mas têm adotado posturas bem diferentes diante das pressões, críticas e episódios recentes que cercam suas trajetórias.
O contraste vai além do futebol. Neymar, de volta ao Santos, tenta provar que ainda tem nível para disputar espaço entre os principais nomes da seleção, mas tem visto a própria imagem ser desgastada por reações impulsivas em meio às cobranças. Endrick, hoje no Lyon, também entrou em rota de polêmica, porém tem preferido uma resposta mais contida, sem prolongar os episódios fora das quatro linhas.
Dentro de campo, o momento do jovem atacante é mais favorável. Endrick foi decisivo na vitória do Lyon por 2 a 1 sobre o Paris Saint-Germain, no sábado, resultado que ganhou ainda mais peso por ter vindo logo após críticas públicas feitas por seu técnico, Paulo Fonseca. Antes disso, no empate sem gols com o Angers, o treinador português havia cobrado uma postura mais incisiva do brasileiro e afirmado esperar mais dele.
A resposta veio no jogo seguinte, justamente em uma partida de maior visibilidade. Mesmo assim, Endrick voltou a ser alvo de comentários ao comemorar o gol diante da torcida rival. O gesto provocou reação de Hakimi, lateral do PSG e da seleção do Marrocos, adversária do Brasil na Copa. “Essas coisas acontecem. Eu queria que meu time permanecesse focado e que ele parasse de fazer coisas contra nossos torcedores. Que jogue futebol, especialmente porque ele é um bom jogador”, disse o defensor.
Após a partida, Endrick tratou o episódio sem elevar o tom e também minimizou a cobrança anterior do treinador. “Não há nenhum problema com o treinador. Nós conversamos. Nunca fico irritado com as escolhas do técnico, porque ele tem decisões a tomar. O meu papel é dar a melhor resposta dentro de campo”, afirmou.
No caso de Neymar, o cenário é outro. O atacante do Santos voltou a se envolver em discussões com torcedores, algo que tem se repetido nesta nova passagem pelo clube. Depois do empate por 1 a 1 com o Deportivo Recoleta, pela Copa Sul-Americana, ele reconheceu nas redes sociais que a postura não foi a ideal e prometeu se concentrar apenas no futebol. “Concordo que eu não deveria ter discutido com o torcedor e que eu poderia simplesmente ter ficado quieto. Então, peço desculpas para quem se ofende. Prometo a mim mesmo que não farei mais isso. Podem falar o que for, vou simplesmente jogar futebol”, escreveu.
Mas a promessa durou pouco. No jogo seguinte, na derrota por 3 a 2 para o Fluminense, Neymar voltou ao centro de uma nova controvérsia. Imagens dele deixando o campo com a mão no ouvido circularam nas redes sociais, com interpretações de que teria provocado torcedores que o vaiavam. O jogador negou essa versão e afirmou que apenas coçava a orelha. Irritado, reagiu com xingamentos a uma publicação da TNT Sports e depois divulgou um comunicado em tom menos agressivo, mas ainda incomodado com a repercussão. “Chegou o dia que eu tenho que explicar uma coçada de orelha. Gente, sinceramente, vocês estão pegando pesado demais e ultrapassando os limites. É triste demais ter que conviver com isso. Não tem ser humano que aguente”, declarou.
O ponto central é que, embora ambos convivam com pressão e polêmicas, a forma como cada um reage pesa no debate sobre a convocação. Endrick tenta encerrar os episódios com desempenho e poucas palavras. Neymar, ao contrário, acaba ampliando o ruído em torno de si cada vez que transforma a crítica em confronto público. Em um momento em que cada detalhe conta por uma vaga na Copa, a diferença de postura pode acabar influenciando tanto a imagem quanto a percepção sobre o momento de cada um.
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