O uso de canetas emagrecedoras sem prescrição médica tem crescido em Mato Grosso do Sul e preocupa especialistas. Medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, indicados originalmente para tratamento de diabetes tipo 2, vêm sendo utilizados de forma indiscriminada para perda de peso, muitas vezes sem acompanhamento profissional.
Relatos de moradores ouvidos pela reportagem mostram que o uso irregular já é realidade. Uma das entrevistadas afirma que iniciou o tratamento por conta própria após ver resultados em conhecidos. Mesmo sem orientação adequada, ela relata ter perdido 20 quilos em cerca de um ano e pretende emagrecer ainda mais.
O custo mais baixo fora do Brasil, especialmente no Paraguai, tem incentivado a prática. Enquanto o medicamento pode chegar a cerca de R$ 1,9 mil no país, há quem consiga adquirir por valores próximos de R$ 300 mensais, o que amplia o acesso, mas também eleva os riscos.
Outra usuária contou que começou o uso em busca de emagrecimento rápido e relatou queda de cabelo após meses de aplicação. Apesar disso, não associou diretamente o efeito ao medicamento, atribuindo a deficiência de vitaminas causada pela redução alimentar.
Especialistas, no entanto, fazem um alerta contundente. O médico Jonathas Canela explica que o principal risco do uso sem acompanhamento é a desnutrição. Segundo ele, os medicamentos reduzem significativamente o apetite, o que pode levar à ingestão insuficiente de nutrientes essenciais.
“A pessoa não reduz apenas calorias, mas também proteínas, vitaminas e minerais fundamentais para o funcionamento do organismo”, explica. Entre os efeitos mais comuns estão queda de cabelo, fraqueza, perda de massa muscular, fadiga e alterações na pele. Em casos mais graves, podem ocorrer desidratação, hipoglicemia e até necessidade de atendimento hospitalar.
Outro ponto de preocupação é a procedência dos produtos. De acordo com o especialista, medicamentos como o Mounjaro exigem controle rigoroso de temperatura durante transporte e armazenamento. A compra informal, especialmente em países vizinhos, pode comprometer a eficácia e até a segurança da substância, além do risco de falsificação.
As canetas emagrecedoras possuem composições diferentes. O Mounjaro utiliza a tirzepatida, que atua em dois receptores hormonais ligados ao controle do apetite e da glicemia. Já Ozempic e Wegovy são baseados em semaglutida, que age em um único receptor. Apesar das diferenças, o médico destaca que não existe uma medicação melhor de forma geral, sendo necessário avaliar cada paciente individualmente.
O especialista reforça que qualquer tratamento deve ser iniciado apenas com avaliação médica, exames laboratoriais e acompanhamento contínuo. Sem isso, o que parece uma solução rápida pode se transformar em um problema de saúde.
O avanço do uso dessas substâncias sem controle evidencia uma tendência perigosa: a busca por resultados imediatos sem considerar os riscos envolvidos, especialmente quando há automedicação e acesso facilitado a produtos sem garantia de procedência.
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