O que parecia um cenário pacificado na base governista em Mato Grosso do Sul voltou a ganhar tensão nos bastidores da pré-eleição. Lideranças ligadas à FIEMS passaram a atuar para tentar rever a indicação de José Carlos Barbosa, o Barbosinha (Republicanos), como vice na chapa de Eduardo Riedel (PP), abrindo uma nova frente de disputa interna no grupo político.
A movimentação é interpretada como uma tentativa de reposicionar o ex-secretário Jaime Verruck, que perdeu espaço na disputa ao Senado e enfrenta dificuldades para viabilizar uma vaga competitiva à Câmara Federal. Sem ambiente favorável na nominata atual, aliados buscam alternativas para manter relevância política no núcleo do governo.
PRESSÃO NOS BASTIDORES
Até então tratada como definida entre aliados, a escolha do vice passou a ser reavaliada após a intensificação de articulações da FIEMS. O movimento atinge diretamente o núcleo de estabilidade da chapa, considerada uma das mais consolidadas do campo governista até agora.
A disputa ocorre em meio a rearranjos partidários que envolveram PP, Republicanos e União Brasil, alterando o equilíbrio interno e ampliando o peso de lideranças externas na formação da chapa majoritária.
INVESTIGAÇÃO DO MPMS
No mesmo momento, a FIEMS também é alvo de apuração do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Um inquérito civil investiga contratos firmados por entidades do sistema S, como SENAI e SESI, com empresas fornecedoras.
A investigação, conduzida pela 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, apura possíveis irregularidades em contratos que somam cerca de R$ 1,9 milhão. Entre os alvos estão relações comerciais com a Souza Alves & Cia (Multifer) e a Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços.
Outro ponto de desgaste envolve um convênio de aproximadamente R$ 7 milhões entre o governo estadual e a FIEMS, firmado para a realização de estudos técnicos e de mercado.
O tema já gerou questionamentos de deputados estaduais e pressiona a base governista, que tenta evitar que a discussão avance para um embate político mais amplo na Assembleia Legislativa.
Até o momento, a FIEMS não se manifestou oficialmente sobre a tentativa de interferência na composição da chapa nem sobre os questionamentos feitos pelo Ministério Público e pelos parlamentares.
O cenário combina disputa política, pressão institucional e desgaste público, ampliando a tensão em um dos principais grupos de influência do Estado às vésperas da definição eleitoral.
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