A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul afastou nesta sexta‑feira (20) os investigadores Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca das funções de chefia em decorrência de sua prisão na Operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta‑feira (18). A investigação apura a participação em um esquema de contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro que envolvia o uso de funções públicas para auxiliar atividades criminosas.
A medida, publicada no Diário Oficial e assinada pelo delegado‑geral Lupersio Degerone Lucio, retira dos dois policiais as funções de confiança, como chef de seção, com efeito retroativo a 18 de março de 2026, quando foram presos pela força federal. Ambos permanecem nos quadros da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), porém sem os cargos de confiança até então ocupados.
Segundo as informações oficiais, a Operação Iscariotes mobilizou cerca de 200 policiais federais para cumprir aproximadamente 90 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, prisão preventiva, afastamentos de função pública e bloqueios de bens avaliados em cerca de R$ 40 milhões. A apuração aponta que os dois investigadores teriam usado dados sigilosos extraídos de sistemas policiais oficiais e suas posições para beneficiar o grupo responsável pelo contrabando.
Célio, que atuava na Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia, já havia sido alvo de outras operações no passado, incluindo investigações relacionadas ao jogo do bicho, lavagem de dinheiro e ligações com tráfico, embora nem todas tenham resultado em condenações. Edivaldo, por sua vez, havia sido preso em 2024 por descaminho ao ser flagrado transportando mercadorias sem documentação fiscal, tendo então pago fiança e respondido em liberdade.

A operação também identificou envolvimento de outros policiais civis e militares, tanto ativos quanto aposentados, no esquema, que incluía desde o fornecimento privilegiado de informações até o transporte físico de mercadorias ilegais. A PF executou ações em diferentes endereços residenciais e comerciais, incluindo boxes no Camelódromo e lojas vinculadas a outros investigados.
As investigações seguem em andamento, e outras medidas podem ser anunciadas pelas autoridades federais e estaduais à medida que novos elementos da apuração sejam detalhados.
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