O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apresentado nesta sexta‑feira (27) no Congresso Nacional, revelou que o ex‑gerente do banco BMG, Anderson Ladeira Viana, usou recursos descontados de aposentados e pensionistas de forma irregular para custear um passeio de luxo no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Segundo o documento, apenas o passeio de barco, com hidromassagem e estrutura completa, teria custado R$ 112.500,00 — valor que teria sido pago com recursos vinculados aos segurados.
De acordo com o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (PL‑AL), o uso dos recursos além da finalidade social da proteção dos aposentados levanta indícios de desvio e irregularidade grave, motivando pedido de indiciamento de Ladeira e de outras 214 pessoas. O relatório destaca postagem nas redes sociais que mostra o passeio da família do ex‑gerente com mais de dez pessoas a bordo de uma embarcação de alto padrão em Corumbá (MS).
O passeio ocorreu na embarcação conhecida como Barco Hotel Almirante, equipada com área de refeições, bar, deck com som ambiente, bicicletas, esteira ergométrica, cozinha completa, camarotes com ar‑condicionado e banheiros privativos, além de sala com múltiplos ambientes e entretenimento. A embarcação comporta entre 12 e 16 passageiros confortavelmente, conforme informações públicas citadas no relatório.

Gaspar classificou a situação como incompatível com a finalidade dos recursos, que deveriam beneficiar diretamente os aposentados e pensionistas assistidos pelo INSS. Segundo o relatório, a destinação dos valores à atividade turística da família de Ladeira representa uso indevido de valores públicos e foi interpretada como “criminosa”.
O relator incluiu no mesmo pedido de indiciamento figuras com destaque nacional além de Ladeira, somando mais de 200 nomes. A leitura pública do relatório ocorreu no mesmo dia em que foi encerrada a prorrogação dos trabalhos da CPMI pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação faz parte de uma apuração ampla sobre descontos e uso irregular de recursos de aposentados do INSS, que já motivou ações e devoluções de valores absorvidos indevidamente de beneficiários, além de debates sobre melhorias de governança no segmento de crédito consignado.
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