Após denúncias de assédio sexual e assédio moral feitas por alunas da Academia da Polícia Civil, o delegado Wellington de Oliveira entrou de férias e foi substituído interinamente na Ouvidoria da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A medida foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial nesta terça-feira (24).
Com o afastamento, o corregedor-geral da corporação, Clever José Fante Esteves, assumiu o cargo temporariamente. A designação foi assinada pelo delegado-geral Lupérsio Degerone Lucio.
Mudança oficial publicada
A portaria estabelece a substituição durante o período de férias:
- Período: 24 de março a 7 de abril de 2026
- Substituto: Clever José Fante Esteves
- Motivo: férias do titular da Ouvidoria
Trecho da publicação oficial:
“Designar CLEVER JOSE FANTE ESTEVES, Delegado de Polícia, Classe Especial, Corregedor Geral da Polícia Civil/MS, para responder, sem prejuízo de suas funções habituais, nos termos do artigo 13, incisos IX e X e c/c o artigo 127, inciso IV da Lei Complementar nº 114/05, pelo expediente da Ouvidoria da Polícia Civil, no período de 24 de março a 7 de abril de 2026, em razão de gozo de férias de Wellington de Oliveira. Campo Grande, MS, 23 de março de 2026.”
Denúncias envolvem várias turmas
As acusações partiram de alunas da Academia de Polícia Civil (Acadepol) e abrangem diferentes turmas. Segundo relatos, há registros de denúncias em oito salas onde o delegado ministrava aulas.
Entre os relatos, estudantes apontam falas consideradas inadequadas em ambiente acadêmico, incluindo perguntas de cunho pessoal e comentários interpretados como ofensivos. Também há menções a situações classificadas como assédio moral.
As denúncias foram formalizadas junto à direção da academia e encaminhadas à Corregedoria, acompanhadas de ata assinada por alunos, líderes de turma e testemunhas.
Investigação em andamento
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul confirmou que abriu procedimento preliminar para apurar o caso. As vítimas já começaram a ser ouvidas, e novas oitivas estão previstas ao longo da semana.
Confira a nota oficial na íntegra:
“A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informa que recebeu as denúncias mencionadas e esclarece que os fatos foram formalmente encaminhados à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, órgão competente para a apuração de condutas funcionais, tendo sido instaurado Auto de Investigação Preliminar (AIP), procedimento destinado à verificação inicial das circunstâncias noticiadas.
No curso da apuração preliminar, serão adotadas as diligências necessárias ao esclarecimento dos fatos, incluindo a oitiva das pessoas envolvidas, bem como a requisição de informações junto à Academia de Polícia Civil (ACADEPOL), especialmente no que se refere à disciplina ministrada, critérios de avaliação e demais elementos relacionados ao contexto relatado.
Esclarece-se, ainda, que a disciplina ministrada pelo aludido professor já se encontrava integralmente concluída quando do recebimento das denúncias, razão pela qual, no momento, não ministra mais aulas na ACADEPOL, bem como não participa atualmente de nenhuma outra atividade funcional relacionada às atividades acadêmicas em andamento na instituição.
A Polícia Civil ressalta que a apuração será conduzida com estrita observância dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, não sendo admitida a formação de juízo de valor antecipado antes da conclusão do procedimento, garantindo-se a imparcialidade e a regularidade na condução dos trabalhos pela Corregedoria-Geral.
A Instituição reafirma que toda notícia de eventual irregularidade é apurada com seriedade e responsabilidade, nos termos da legislação vigente e das normas disciplinares aplicáveis.”
Delegado nega acusações
Procurado, o delegado Wellington de Oliveira negou as denúncias e afirmou que os conteúdos apresentados em aula fazem parte da metodologia de ensino.
“Em hipótese alguma houve assédio. A disciplina trabalha com cenários reais e exemplos do cotidiano policial, alguns envolvendo temas sensíveis, mas sempre com finalidade didática”, afirmou.
Ele também declarou que eventuais interpretações podem ter ocorrido por falas retiradas de contexto e destacou que leciona há cerca de 20 anos sem registros anteriores de problemas.
Caso segue sob análise
O procedimento segue em fase preliminar e deve avançar conforme a coleta de depoimentos e análise de documentos. Não há, até o momento, conclusão sobre responsabilidade.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul reforçou que o caso será conduzido dentro dos parâmetros legais, garantindo ampla defesa e contraditório às partes envolvidas.
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