A morte de Hannah Julia Romeiro Nolasco, de 8 anos, após atendimentos em unidades de saúde de Campo Grande, levanta suspeitas de negligência médica. A criança morreu no dia 29 de abril, após uma sequência de idas e vindas em unidades públicas. A família afirma que ela chegou andando à última consulta na UPA, mas não saiu com vida.
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O caso mobiliza familiares, que agora buscam esclarecimentos sobre o atendimento e contestam o registro de morte natural.
Cinco dias de atendimentos
Os primeiros sintomas surgiram em 24 de abril, com febre alta e sinais gripais. Hannah foi levada ao CRS Coophavilla II, medicada e liberada.
Três dias depois, o quadro evoluiu. A menina apresentou inchaço nos olhos, vômitos, palidez e lábios arroxeados. Ela foi atendida na UPA Leblon, onde passou por avaliação e retornou para casa após medicação.
Desfecho na madrugada
Na madrugada do dia 29, a criança voltou a passar mal, com dores intensas no corpo. A família retornou à UPA, onde houve novo atendimento e solicitação de exames.
Segundo os familiares, houve falhas na comunicação sobre exames anteriores e demora no encaminhamento.
Falhas no atendimento e momento crítico
Na saída da sala médica, a mãe relata um “jogo de empurra-empurra” entre os setores de medicação e reavaliação. Durante esse período, Hannah ficou desacordada nos braços da mãe até ser encaminhada à emergência.
“Quando ela desfaleceu, levaram minha filha. A médica disse que ela seria intubada porque estava mal, mas ela já estava morta. Eu vi que minha filha já estava morta”, afirmou o pai, Jeremias Rodrigues Nolasco.
Segundo a família, após dar entrada no setor de emergência, a criança já não apresentava sinais vitais. A equipe médica informou que houve tentativa de intubação e apontou problemas respiratórios, registrando o caso como morte natural — versão contestada pelos familiares.
Hannah Julia, de 8 anos. (Foto: Arquivo Pessoal)
A família havia se mudado recentemente de Corumbá para Campo Grande. Hannah é lembrada como uma criança ativa, alegre e cheia de sonhos. Entre eles, o desejo de se tornar médica.
“A gente já passou por um luto antes. Ela era minha parceira, minha alegria. Em todo canto da casa tem um pouco dela”, disse a irmã, Jenniffer Romeiro Nolasco.
Os familiares pedem investigação rigorosa para apurar possível falha no atendimento.
Casos semelhantes acendem alerta
A morte de Hannah não é isolada. No início de abril, um menino de 9 anos também morreu após atendimentos sucessivos em uma UPA da Capital.
A repetição de ocorrências levanta questionamentos sobre protocolos, triagem e condução de casos pediátricos nas unidades de urgência.
Posicionamento oficial
A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada, mas não se manifestou até a publicação. O espaço segue aberto.
Autoridades médicas e órgãos competentes devem acompanhar o caso para apurar responsabilidades.
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