Primeira etapa da Nova Serra das Araras será entregue em trecho da BR-116, em Paracambi, com pistas ampliadas e ações ambientais. (Foto: Márcio Ferreira)Com investimento de R$ 1,5 bilhão, a obra da Nova Serra das Araras, na BR-116, entre Rio de Janeiro e São Paulo, entra em uma nova fase nesta terça-feira (23) com a inauguração da primeira etapa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Paracambi, no Rio de Janeiro. O projeto integra o Novo PAC e prevê melhorias em um dos trechos mais críticos da Via Dutra, com foco na ampliação da segurança viária e na fluidez do tráfego.
A intervenção prevê oito faixas de rolamento, quatro em cada sentido, além de acostamentos, 24 novos viadutos, duas rampas de escape e três passarelas. Segundo os dados da obra, a execução já chegou a 70%. A primeira etapa libera quatro quilômetros da pista de subida, no sentido São Paulo, com iluminação, oito viadutos, quatro faixas e 14 estruturas de contenção.
A expectativa é reduzir o tempo de percurso em uma região que recebe cerca de 390 mil veículos por mês, dos quais 36% são de carga. A velocidade prevista será de 80 km/h, com estimativa de queda de 25% no tempo de subida, no sentido São Paulo, e de 50% na descida, em direção ao Rio de Janeiro.
Além da ampliação da capacidade da rodovia, a obra adota medidas ambientais no próprio canteiro. Uma central de britagem instalada na área da intervenção permite reaproveitar integralmente os fragmentos de rocha retirados nas escavações e detonações. O material é transformado em insumos usados na própria construção, como concreto, asfalto, estruturas de drenagem e tubos.
“Fazemos a detonação, transportamos esse material, ele fica segregado e [depois] vai para o britador. Temos um sistema de britagem completo, é como se fosse uma pedreira mesmo, em menor escala, mas daqui conseguimos produzir todo tipo de material”, explicou o engenheiro civil Thiago Pinho Batista, gerente de Engenharia de Obras da Motiva Rodovias.
Segundo ele, o reaproveitamento evita descarte e reduz a necessidade de extração de matéria-prima em outras áreas. “Primeiro, se eu não reaproveitasse esse material, eu teria que dispor dele numa área de DME [Depósito de Material Excedente], ou seja, jogar fora”, afirmou. “Além disso, se eu não produzisse os insumos para incorporar na obra, eu teria que comprar, o que significaria uma área degradada em outro ambiente para a exploração comercial desse material, além de um custo a mais.”
A obra também inclui ações de resgate de fauna e flora. Equipes monitoram diariamente as frentes de serviço para identificar animais, ninhos e colmeias na área afetada. Desde o início da intervenção, cerca de 400 animais foram afugentados e nove receberam atendimento veterinário.
“O programa de resgate de fauna é o que a gente faz diariamente, então todas as frentes de obra, canteiros, frente de supressão, sempre vai ter uma equipe observando se tem algum animal no entorno, se tem algum animal machucado que precise ser removido ou atendido”, disse Fernanda Ferreira Galdeno Stein, especialista de Meio Ambiente da Motiva Rodovias.
Na flora, o trabalho inclui coleta de sementes, mudas e espécies retiradas antes da supressão vegetal. Desde abril de 2024, foram identificadas mais de 40 espécies vegetais, com mais de 500 exemplares resgatados, 1.800 sementes coletadas e 700 mudas produzidas no viveiro da obra. Desse total, 100 mudas já foram doadas ao município de Piraí.
Também foram localizadas espécies nativas da Mata Atlântica consideradas prioritárias para resgate, como juçara, jacarandá-da-bahia e garapa.
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