Novo painel do governo reúne dados sobre presença de agrotóxicos em recursos hídricos de todo o país. (Foto: Davi Pinheiro)O governo federal lançou nesta segunda-feira (11) um painel de monitoramento de agrotóxicos nos recursos hídricos do país. A ferramenta reúne dados coletados em bacias hidrográficas de todos os estados para identificar o grau de presença desses pesticidas na vida aquática e dar mais transparência ao tema.
O painel mostra, entre outras informações, a quantidade de pontos de monitoramento espalhados pelo Brasil, o número de agrotóxicos rastreados, os percentuais de detecção e dados sobre o uso da terra e a vulnerabilidade ambiental das bacias analisadas.
Segundo o governo, a proposta é facilitar o acesso à informação, fortalecer o debate público e ajudar na formulação de políticas voltadas à prevenção de riscos ambientais e sanitários.
Durante o lançamento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que os agrotóxicos estão entre os principais desafios ambientais e de saúde pública, com impacto sobre organismos aquáticos, polinizadores, solo e seres humanos, sobretudo em casos de uso inadequado, excesso de aplicação ou persistência das substâncias no ambiente.
“Esse é um tema que nós temos que trabalhar com muita responsabilidade, por que o Brasil é uma potência agrícola global, mas sabemos que, no século XXI, a competitividade e sustentabilidade não podem mais caminhar separadas. Produzir alimentos exige também proteger as águas, bioinsumos, os territórios e a saúde humana”, afirmou.
A ferramenta foi desenvolvida no âmbito do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos, o Pronara, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com base no monitoramento feito pela Embrapa.
Segundo Capobianco, o painel ainda está em fase inicial de consolidação. Hoje, 49 tipos de agrotóxicos são monitorados, mas esse número deve aumentar com a ampliação da cobertura territorial.
Os dados iniciais apontam que já foram realizadas mais de 10 mil análises de agrotóxicos, com frequência de detecção de 7,2%. Entre as substâncias monitoradas, o S-Metolacloro foi o que apareceu com maior frequência, observado em 69,48%.
O ministro destacou ainda que, antes da criação do painel, as informações sobre o monitoramento de agrotóxicos estavam dispersas, o que dificultava análises integradas e a tomada de decisão por parte do poder público.
“Os dados existiam, mas estavam dispersos, dificultando a análise integrada e a formulação de políticas públicas consistentes”, lembrou.
Para o governo, o diferencial da nova plataforma está justamente em reunir em um só ambiente informações que antes apareciam de forma fragmentada. A expectativa é que o painel ajude a acompanhar tendências, identificar áreas mais vulneráveis e orientar medidas preventivas e corretivas.
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