A Secretaria Municipal de Saúde apresentou, nesta semana, a prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026, em audiência pública realizada no plenarinho da Câmara Municipal. Apesar do avanço nos atendimentos, da redução de filas e da ampliação de serviços, o alto número de pacientes que não comparecem às consultas agendadas se consolidou como o principal problema enfrentado pela rede.
Somente na atenção primária, foram registradas cerca de 44 mil faltas no período. Na média complexidade, como consultas com especialistas, o índice também é elevado e tem impacto direto na demora por atendimento. De acordo com a secretária municipal de Saúde, Juliana Salin, há casos em que pacientes confirmam presença e ainda assim não comparecem. Em uma das situações citadas, apenas um paciente compareceu a um dia inteiro de consultas com endocrinologista.
Segundo a gestora, o absenteísmo compromete o funcionamento do sistema, impede o avanço mais rápido na redução de filas e acaba sobrecarregando serviços de urgência e emergência, já que muitos pacientes recorrem a essas unidades posteriormente.
Avanços e redução de filas
Apesar do problema, o relatório aponta crescimento expressivo nos atendimentos em diferentes áreas. Na atenção especializada, houve aumento nas consultas, com destaque para o Centro de Especialidades Médicas, que passou de 18.405 para 19.176 atendimentos, alta de 4,2%.
Na saúde mental, os resultados foram mais significativos. A fila para atendimento psiquiátrico caiu de cerca de 1.600 pacientes para 47. Já no ambulatório de saúde mental, a espera foi reduzida de aproximadamente 1.980 para cerca de 140 pessoas.
A Rede de Atenção Psicossocial também ampliou os serviços. Os atendimentos médicos cresceram 18%, enquanto os atendimentos psicológicos em grupo aumentaram 81%. O Ambulatório de Saúde Mental teve alta de 46,9% nas consultas médicas e o CAPS AD registrou crescimento de 33,8%.
Reorganização da rede
Outro reflexo da reorganização do sistema foi a redução nos atendimentos de urgência. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) registrou queda de 20,1%, passando de 48.567 para 38.813 atendimentos.
De acordo com o relatório, a diminuição está relacionada ao fortalecimento da atenção primária e ao melhor direcionamento dos pacientes dentro da rede municipal. Já o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) teve aumento de ocorrências, passando de 3.655 para 4.103 registros.
Exames e medicamentos
O Laboratório Municipal ampliou a oferta de exames, saltando de 220.054 para 247.474 procedimentos. Na assistência farmacêutica, o abastecimento de medicamentos chegou a cerca de 99%, com crescimento na oferta de remédios de alto custo, que passou de 4.205 para 6.308 atendimentos.
A cobertura vacinal infantil também apresentou resultados positivos, com índices acima das metas do Ministério da Saúde em imunizações como VIP e pentavalente, ambas superiores a 98%.
Na vigilância epidemiológica, houve redução expressiva nos casos de dengue. As notificações caíram de 1.084 em 2025 para 290 em 2026.
Investimentos
Durante o quadrimestre, cerca de R$ 7 milhões em recursos extras foram aplicados na saúde. Os investimentos incluíram a compra de equipamentos, como cadeiras odontológicas e compressores, além de melhorias na estrutura de atendimento especializado. A ampliação dos serviços também contou com parcerias, como o apoio da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) para atendimentos em endocrinologia.
Medidas para reduzir faltas
Para enfrentar o alto índice de ausências, a Secretaria de Saúde prepara a implantação de um sistema com uso de inteligência artificial, que está em fase de licitação. A ferramenta deve funcionar como um assistente virtual para confirmação de consultas.
Com o novo sistema, os pacientes serão avisados previamente e poderão confirmar ou cancelar o atendimento. Caso não haja resposta, a vaga será liberada automaticamente para outro paciente da fila.
A expectativa é reduzir o número de faltas, melhorar o aproveitamento das agendas e ampliar o acesso da população aos serviços de saúde.
O post Faltas em consultas passam de 44 mil e viram principal desafio da saúde apareceu primeiro em RCN67.
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