Ministério Público voltou a pedir intervenção no Corinthians e questionou a aprovação das contas de 2025. (Foto: Victor Costa)O Ministério Público de São Paulo voltou a pedir intervenção judicial no Corinthians e elevou o tom das críticas à condução administrativa do clube. Em representação protocolada nesta segunda-feira, o promotor Cássio Conserino afirma que houve “maquiagem contábil” na aprovação das contas de 2025 e aponta indícios de gestão temerária na atual administração.
O novo pedido se apoia em ressalvas feitas pela auditoria independente da empresa Parker Russell e em supostas falhas no processo que levou à aprovação do balanço, no meio de abril. Para o promotor, as contas foram chanceladas sem uma apuração mais aprofundada de pontos considerados sensíveis, o que, segundo ele, esvaziou o controle interno do clube.
Em um dos trechos mais duros do documento, Conserino afirma que a aprovação com ressalvas perde valor quando serve para encobrir irregularidades graves. Na avaliação do MP, há indícios de fraude, distorção da realidade financeira e tentativa de suavizar a gravidade da situação econômica do Corinthians.
O principal foco da contestação está em uma operação ligada à Neo Química Arena. O Ministério Público cita um registro de R$ 96 milhões em investimentos em um fundo imobiliário usado nessa estrutura. Segundo a auditoria mencionada no pedido, as informações apresentadas sobre esse ativo são insuficientes. Para o promotor, o valor não teria sido representado corretamente na contabilidade do clube, o que comprometeria a leitura real da operação.
É justamente nesse ponto que o MP sustenta a acusação de “maquiagem contábil”. O argumento é que o valor lançado não refletiria a realidade econômica do negócio, produzindo uma fotografia financeira distorcida. Na interpretação do promotor, isso pode caracterizar desvio de finalidade na gestão e reforçar a suspeita de administração temerária.
O documento também descreve o momento do Corinthians como um “cenário administrativo caótico” e afirma que a crise tem se agravado. Entre os fatores citados está a dívida de R$ 3 bilhões, tratada pelo Ministério Público como um dado central da deterioração financeira do clube.
Além dos questionamentos sobre os números, o promotor aponta problemas na própria votação das contas. Um dos pontos levantados é a participação de Haroldo José Dantas da Silva, presidente do Conselho Fiscal, na condução da reunião. Mesmo afastado de suas funções pela Comissão de Ética por conflito de interesses, já que atua como advogado pessoal do presidente Osmar Stábile, ele presidiu o encontro que aprovou o balanço.
O Ministério Público ainda menciona “vício de quórum” e “desprezo por pareceres técnicos”, ao destacar que a Comissão de Finanças recomendava a reprovação das contas. Outro ponto citado é uma suposta “pedalada contábil”, com a tentativa de antecipar para o resultado de 2025 benefícios de uma transação tributária que só teria ocorrido em fevereiro de 2026, em um valor de cerca de R$ 200 milhões.
Para o promotor, esse lançamento teria o objetivo de melhorar artificialmente o balanço do clube, em desacordo com o regime de competência. O novo pedido de intervenção recoloca a crise administrativa do Corinthians no centro do debate e aumenta a pressão sobre a direção alvinegra em meio ao avanço da dívida e à contestação sobre a transparência das contas.
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