Kaká elogiou Ancelotti e disse que a seleção precisa de mais do que talento para vencer uma Copa do Mundo. (Foto: N Sports/Divulgação)Campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002, Kaká afirmou que não existe receita pronta para conquistar uma Copa do Mundo. Ao comentar o momento do Brasil e a chegada de Carlo Ancelotti ao comando da equipe, o ex-jogador destacou que o sucesso em um Mundial depende de uma combinação de fatores, com peso especial para a formação do grupo e a capacidade de administrar o ambiente ao longo do torneio.
A fala reforça uma ideia que costuma aparecer sempre que a seleção entra em novo ciclo: mais do que nomes de impacto ou talento individual, o desempenho em Copa passa pela construção de um elenco equilibrado e por um ambiente capaz de suportar a pressão de semanas intensas de convivência. Para Kaká, esse processo começa antes mesmo da bola rolar.
Em entrevista ao programa “Campeão do Mundo com Galvão”, o ex-meia disse que a montagem do elenco precisa ir além dos jogadores. Segundo ele, a preparação envolve comissão técnica, convivência e o contexto criado em torno da equipe durante os cerca de 50 a 60 dias de competição. “Não tem receita para ganhar uma Copa do Mundo. A gente sabe muitas coisas e muitos ingredientes que precisam ser feitos para você tentar ganhar uma Copa do Mundo”, afirmou.
Ancelotti recebe elogios
Ex-comandado de Carlo Ancelotti no Milan, Kaká falou com propriedade ao analisar o novo técnico da seleção. Os dois trabalharam juntos por seis anos e conquistaram títulos importantes, como a Liga dos Campeões da temporada 2006/07 e o Mundial de Clubes do mesmo ano. Para o brasileiro, uma das maiores virtudes do italiano está na forma como conduz pessoas, sem perder força técnica e estratégica.
Kaká afirmou que ficou feliz com a escolha de Ancelotti para a seleção e disse que a gestão de grupo é a característica que mais sobressai no treinador. Ao mesmo tempo, ressaltou que essa não é sua única qualidade. Segundo o ex-jogador, o italiano também se destaca na parte técnica, tática e na leitura de jogo, além de saber dosar rigor e proximidade no trato com o elenco.
Ao elogiar Ancelotti, Kaká ajuda a reforçar a expectativa em torno da capacidade do treinador de organizar não apenas um time competitivo, mas um grupo forte para enfrentar um torneio curto e de alto desgaste.
Lembrança da frustração em 2006
Kaká também relembrou a seleção de 2006, da qual fez parte ao lado de Ronaldinho, Ronaldo e Adriano no chamado “Quadrado Mágico”. Para ele, não faltava talento àquele grupo, visto até hoje como um dos mais fortes já reunidos pelo Brasil. O que pesou, segundo sua análise, foi a qualidade da França, adversária que eliminou a equipe nas quartas de final.
Na avaliação do ex-meia, a derrota mostrou como uma Copa do Mundo pode ser definida por detalhes. Mesmo com um elenco recheado de nomes em grande fase, o Brasil caiu diante de uma seleção francesa que também tinha alto nível técnico. A lembrança serve como argumento para a tese de que uma equipe campeã não se constrói apenas com talento acumulado.
Brasil já tem caminho definido
Com a Copa do Mundo se aproximando, o Brasil já conhece a sequência de jogos que terá na fase de grupos. A seleção estreia no Grupo C em 13 de junho, contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos. Depois enfrenta o Haiti, em 19 de junho, na Filadélfia, e fecha a primeira fase contra a Escócia, em 24 de junho, no Hard Rock Stadium.
No fundo, a leitura de Kaká deixa um recado claro: a seleção pode até reunir nomes fortes e contar com um treinador vencedor, mas nada disso, isoladamente, garante o título. Em Copa do Mundo, o peso do coletivo, da preparação e da gestão emocional costuma falar tão alto quanto a qualidade técnica.
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