Esquiva Falcão disse que vendeu a medalha olímpica para investir em uma academia própria e dar mais segurança à família. (Foto: Dida Sampaio)Esquiva Falcão, medalhista de prata nos Jogos de Londres-2012, revelou que vendeu a medalha olímpica conquistada no boxe e usou a decisão para expor uma realidade que, segundo ele, ainda atinge muitos atletas brasileiros mesmo depois do auge da carreira. Em desabafo nas redes sociais, o pugilista capixaba afirmou que a escolha foi uma das mais difíceis de sua vida, mas disse que o valor obtido no negócio será importante para tirar do papel o projeto de ter uma academia própria e garantir mais estabilidade à família.
Ao falar sobre a venda, Esquiva deixou claro que o peso da decisão vai além do valor material do objeto. “Hoje me despeço de um dos maiores símbolos da minha vida: minha medalha olímpica. Minha maior conquista no boxe. Representa muito mais do que prata, representa a luta de um menino sonhador (…) Estou muito triste com isso, essa decisão que tomei doeu muito. Porque essa medalha carrega parte da minha alma, minha família. Não é apenas uma medalha”, disse o atleta em vídeo publicado no Instagram.
O relato ganhou repercussão porque a medalha simboliza o maior feito da carreira de um dos principais nomes do boxe brasileiro nas últimas décadas. Mais do que um item esportivo, a prata de Londres virou, nas palavras do próprio atleta, um retrato de tudo o que ele construiu no esporte. Ainda assim, Esquiva afirmou que precisou tomar a decisão diante de um cenário em que o reconhecimento nem sempre se transforma em apoio concreto.
Foi nesse ponto que o pugilista ampliou o tom do desabafo e associou a venda à falta de valorização enfrentada por atletas olímpicos no País. “Essa decisão me fez refletir sobre uma realidade dura do nosso país. Muitas vezes o atleta olímpico não recebe o devido valor. Mesmo após o pódio, falta apoio, valorização. Vender essa medalha não apaga minha história, porque o verdadeiro valor nunca esteve no metal, e sim em tudo que ela simboliza”, afirmou.
Esquiva fez questão de rebater a interpretação de que a venda teria sido motivada por desespero financeiro. Segundo ele, a negociação não ocorreu para quitar dívidas, embora tenha reconhecido as dificuldades normais de quem sustenta uma família. O boxeador explicou que mantém uma reserva, mas decidiu negociar a medalha para investir em um projeto de longo prazo.
“Eu não vendi a medalha por dívida financeira. Dívida todo mundo tem, né? Um pai de família com três crianças tem dívidas. Mas esse não foi o motivo da venda. Hoje eu tenho uma reserva, não é muito, mas tenho. Um dos motivos pelos quais eu vendi a medalha foi porque quero abrir a minha própria academia. Hoje tenho uma, mas o lugar é alugado. Além disso, quero dar uma vida melhor aos meus filhos. Quero deixar bem claro também: ninguém vende a medalha porque quer, sempre existe um motivo”, declarou.
Sem revelar o valor da negociação nem a identidade de quem comprou a medalha, Esquiva disse apenas que o acordo foi fechado de forma que possa ajudá-lo diretamente na construção da academia e no fortalecimento da base financeira da família. A fala reforça um aspecto central da história: a venda não foi apresentada por ele como um gesto simbólico ou impulsivo, mas como uma medida prática para transformar uma conquista do passado em estrutura para o futuro.
A trajetória do capixaba ajuda a dimensionar o peso dessa escolha. Irmão de Yamaguchi Falcão, medalhista de bronze também em Londres-2012, Esquiva construiu uma carreira sólida no boxe olímpico, com 32 vitórias e apenas duas derrotas. No profissional, também se manteve em evidência e chegou a disputar em 2023 o título mundial dos médios da Federação Internacional de Boxe, quando acabou derrotado pelo alemão Vincenzo Gualtieri.
O caso chama atenção justamente por mostrar que nem sempre a consagração olímpica garante estabilidade duradoura. Ao transformar a venda da medalha em um desabafo público, Esquiva Falcão não apenas explicou uma decisão pessoal, mas também reacendeu a discussão sobre o suporte oferecido a atletas que levaram o nome do Brasil ao pódio e, anos depois, ainda precisam encontrar meios próprios para sustentar seus projetos e a própria família.
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