Corinthians tem a terceira melhor defesa do Brasileirão, mas amarga o pior ataque da competição após 12 rodadas. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)Se o recorte fosse apenas defensivo, o Corinthians estaria em outro patamar no Campeonato Brasileiro. A equipe tem a terceira melhor defesa da competição, com 11 gols sofridos em 12 partidas, média de 0,92 por jogo. O número é próximo ao de Palmeiras, com média de 0,83, e Flamengo, com 0,91.
O problema do time está do outro lado do campo. No ataque, o Corinthians reúne alguns dos piores números da Série A. É a equipe que menos finaliza no campeonato, com média de 9,8 conclusões por partida, e ainda aparece com a terceira pior eficiência ofensiva, com um gol a cada 14,6 tentativas.
O contraste fica mais claro quando a comparação é feita com equipes que brigam na parte de cima da tabela. O Flamengo, por exemplo, marca um gol a cada 7,3 finalizações, exatamente o dobro da eficiência ofensiva corintiana nesse recorte. Além disso, o time carioca ainda finaliza mais, com média de 13,3 chutes por jogo.
Mesmo quando atua em casa, o Corinthians não consegue transformar maior volume em melhor aproveitamento. Como mandante, a equipe finaliza mais, com média de 11,2 conclusões por partida, contra 8,2 como visitante. Ainda assim, a eficiência ofensiva cai em casa: é um gol a cada 16,8 tentativas, contra um a cada 12,3 fora.
Outro dado que ajuda a explicar a baixa produção é a dificuldade para acertar o alvo. O Corinthians tem a menor média de finalizações certas do Brasileirão, com apenas 2,9 por jogo. Também aparece com a menor média de chutes de dentro da área, com 5,3 por partida.
O resultado dessa combinação aparece diretamente no número de gols. Com apenas oito bolas na rede em 12 jogos, o Corinthians tem o pior ataque do campeonato, com média de 0,67 gol por partida. Como mandante, soma quatro gols em seis jogos e tem o pior desempenho ofensivo entre os times da Série A nesse cenário. Como visitante, também marcou quatro vezes em seis partidas, o que o coloca com o quarto pior ataque fora de casa.
Os números chamam atenção porque contrastam com o desempenho recente da equipe na Libertadores. Na competição continental, o Corinthians marcou quatro gols em dois jogos, produção superior à que vem apresentando no Brasileiro. O dado sugere diferença de rendimento entre os torneios, embora o recorte ainda seja curto.
Uma das leituras possíveis a partir dos dados é a menor participação do Corinthians em jogadas de transição rápida. O time é o que menos finaliza em contra-ataques no Brasileirão, com apenas oito conclusões nesse tipo de lance. Também é o quarto que menos força cartões dos adversários por interrupção dessas jogadas, com cinco ocorrências. Ao todo, são 13 contra-ataques que terminaram em finalização ou cartão ao rival.
Na comparação com outros times, o número é baixo. Fluminense soma 18 finalizações em contragolpes e nove cartões sofridos pelos adversários nesses lances. O Palmeiras tem 17 finalizações e 10 cartões, ambos com total de 27 ações desse tipo. O dado mostra um Corinthians menos agressivo em transições ofensivas.
Ainda assim, esse aspecto isolado não explica tudo. O Flamengo, por exemplo, tem os mesmos números do Corinthians em contra-ataques, mas aparece com o terceiro melhor ataque do campeonato, com 20 gols e média de 1,82 por partida. Isso indica que a diferença não está apenas na frequência com que o time acelera em velocidade, mas principalmente na qualidade e na eficiência das chances criadas.
No recorte da eficiência ofensiva como mandante, o Corinthians aparece na 18ª posição entre 20 equipes. O time precisa de 16,8 finalizações para marcar um gol em casa, índice superior ao de quase todos os adversários. Só Mirassol, com 19,6, e Internacional, com 21,2, apresentam aproveitamento pior nesse ranking.
A tabela reforça o tamanho da dificuldade. Botafogo lidera esse recorte com um gol a cada 5,3 finalizações em casa. São Paulo aparece com 5,7, Athletico-PR com 6,1 e Palmeiras com 6,5. O Corinthians está distante desse grupo, mesmo tendo média razoável de 11,2 conclusões por jogo como mandante.
O cenário mostra um time que consegue se manter competitivo defensivamente, mas que perde força pela incapacidade de produzir e converter no ataque. Até aqui, a campanha no Brasileirão expõe um desequilíbrio claro: o Corinthians sofre pouco, mas cria pouco e transforma ainda menos.
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