Padre Fábio de Melo abriu o coração em entrevista ao falar sobre a morte da mãe, a depressão, os ataques nas redes e os efeitos da fama. – (Foto: Reprodução)Padre Fábio de Melo voltou a expor um lado mais íntimo da própria trajetória ao comentar dores que marcaram sua vida pessoal e pública.
Em entrevista à jornalista Maria Fortuna, no videocast Conversa Vai, Conversa Vem, do jornal O Globo, o sacerdote falou sobre o luto pela morte da mãe, os impactos da fama, os ataques sobre sua sexualidade e a convivência com a depressão.
Em um dos trechos mais fortes, reconheceu mudanças negativas que percebeu em si mesmo com a popularidade. “Meus maiores arrependimentos foram quando identifiquei a arrogância que reprovo no outro repetida em mim”, confessou.
Ao abordar o peso da exposição, Fábio de Melo disse que a fama alterou profundamente sua rotina e mexeu com sua vida interior. “Sempre fui calmo, gostei da rotina. De repente, fazia 35 shows por mês pelo Brasil”, relembrou. Para ele, o reconhecimento público cobra um preço alto. “A fama é um roubo. Primeiro porque ela é uma ilusão. Rouba você daquilo que mais ama fazer. Vai retirando a espontaneidade, privando os caminhos”, refletiu.
O sacerdote também tratou da morte da mãe, Ana Maria, durante a pandemia, e resumiu a dor da perda com uma frase que sintetiza o vazio deixado por ela: “É a maior tristeza do mundo, mas é também a maior libertação”.
A entrevista também entrou no campo da saúde mental. O padre relatou que viveu um período especialmente delicado após ser diagnosticado com depressão e síndrome do pânico, quadro agravado depois do suicídio de uma de suas irmãs.
“Vivi um combo difícil de ser administrado: depressão e síndrome do pânico”, contou. Em seguida, fez uma revelação dura sobre o sofrimento emocional dentro da família e sobre os próprios pensamentos em momentos de crise. “Nunca tentei. Mas, em muitos momentos, fiquei planejando”, disse. Mesmo assim, afirmou que passou a entender a necessidade de reagir por si mesmo: “Preciso encontrar recursos para sobreviver a mim mesmo”.
Outro ponto sensível da conversa foram os comentários frequentes sobre sua sexualidade. Padre Fábio criticou o ambiente hostil das redes e disse que esse tipo de julgamento se tornou parte da exposição pública.
“Estamos transformando a vida num campo de batalha, isso nos adoece”, afirmou. Em outro trecho, resumiu como enxerga a insistência alheia sobre sua vida íntima: “Se ando com você, vão dizer que estou tendo um caso. Vou ser sempre vítima disso”. Ao final, ligou esse processo de reconstrução pessoal ao lançamento do novo álbum, O beijo que vós me nordestes, que apresentou como um recomeço artístico após anos de crises e perdas.
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