Pasha Talankian relata que sua estatueta do Oscar desapareceu após ser despachada em voo saindo de Nova York. (Foto: Phil McCarten)A estatueta do Oscar recebida por Pasha Talankian, diretor e protagonista do documentário Um Zé Ninguém Contra Putin, desapareceu depois que ele foi impedido de embarcar com o prêmio em um voo saindo dos Estados Unidos. Segundo o cineasta, a peça foi barrada por agentes da TSA, órgão responsável pela segurança nos aeroportos americanos, sob a alegação de que poderia ser usada como arma.
Talankian afirmou que já havia viajado outras vezes com a estatueta na bagagem de mão, sem enfrentar problemas, mas disse que a situação mudou na quarta-feira, (29), no aeroporto JFK, em Nova York. Em entrevista ao site americano Deadline, classificou como “incompreensível” o fato de o Oscar ter sido tratado como item de risco.
De acordo com o relato, um funcionário da Lufthansa tentou apresentar alternativas para evitar que o prêmio fosse despachado, entre elas guardar a estatueta durante o voo ou acomodá-la na cabine de comando, mas, segundo o diretor, todas as opções foram recusadas pela TSA.
Sem uma mala rígida para proteger o objeto, Talankian acabou recebendo uma caixa de papelão para despachar o Oscar no bagageiro da aeronave, durante o voo até Frankfurt, na Alemanha. Ao chegar ao destino, no entanto, a caixa havia desaparecido.
O caso ganhou repercussão também por causa de uma manifestação pública de David Borenstein, que também dirige o documentário vencedor. Em postagem no Instagram, ele relatou o episódio e levantou dúvidas sobre a forma como o colega foi tratado. “Pavel teria sido tratado da mesma forma se fosse um ator famoso? Ou um falante fluente de inglês?”, questionou, ao citar que Talankian fala russo e precisou da ajuda da produtora executiva Robin Hessman para traduzir a conversa com os funcionários do aeroporto.
Borenstein disse ainda que pesquisou casos semelhantes e afirmou não ter encontrado outro registro de artista que tenha sido obrigado a despachar a própria estatueta do Oscar. Ao fim da publicação, fez um apelo por informações sobre o paradeiro do prêmio.
Além da premiação, Talankian tem uma trajetória marcada pelo contexto retratado no documentário. Funcionário de uma escola em área rural da Rússia, ele registrou o avanço da propaganda militar no ambiente escolar após o início da guerra na Ucrânia. Hoje, vive exilado fora do país de origem.
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