Lígia vai encerrar sua trajetória em Três Graças longe do final romântico mais previsível. Nos últimos capítulos da novela, a personagem de Dira Paes decide virar a página de vez e recusa a tentativa de reconciliação com Joaquim, homem que a abandonou no passado quando ela estava grávida de Gerluce. Depois de enfrentar doença, solidão, dificuldades e conflitos familiares ao longo da trama, ela escolhe colocar a própria paz acima de um amor que reaparece tarde demais.
A virada acontece no ferro-velho de Joaquim, quando Lígia descobre que ele escondia os milhões retirados da estátua das Três Graças dentro de um baú. A cena derruba de vez a confiança que ela ainda tentava reconstruir. Diante do flagrante, o sucateiro tenta se aproximar, beija-la e pedir uma nova chance, mas encontra um limite definitivo. “Agora é tarde demais”, dirá Lígia, encerrando ali qualquer possibilidade de retomada entre os dois.
O rompimento será tratado pela novela como uma escolha de maturidade. Depois de criar a filha sozinha, sobreviver a traumas e aprender a viver sem Joaquim, Lígia entende que não quer mais dividir a vida com alguém que só resolveu voltar quando tudo já tinha passado. A decisão ainda será reforçada logo depois: escondida no ferro-velho, Arminda observa a discussão, se aproxima de Joaquim em seu momento de fragilidade e os dois acabam se beijando, em uma cena flagrada por Lucélia.
Mesmo sem reconciliação amorosa, o fim da personagem será marcado por afeto e reconstrução. Livre da doença que marcou o início de sua jornada, Lígia termina a novela cercada pela filha Gerluce, pela neta Joélly e pela bisneta Ana Maria. Mais do que um par romântico, Três Graças reserva para ela um encerramento como símbolo de resistência e dignidade, de uma mulher que atravessou o abandono e a dor, mas terminou escolhendo a si mesma.
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