Medida do governo Trump deve reduzir tarifas da carne bovina por 200 dias para conter inflação e reforçar abastecimento. (Foto: Kevin Dietsch)O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar nesta segunda-feira (11) duas ordens executivas para reduzir temporariamente as tarifas de importação sobre carne bovina. A medida, segundo apuração do Estadão/Broadcast Agro, foi desenhada para frear a alta dos preços no mercado americano e enfrentar problemas de abastecimento em um momento de forte pressão sobre o setor.
A previsão é que a decisão entre em vigor já na data da assinatura e tenha validade de 200 dias, até 10 de novembro. Nesse período, os Estados Unidos devem suspender não só as tarifas de importação da carne bovina, mas também o sistema de cotas tarifárias, que hoje limita o volume de produto que pode entrar no país sem cobrança adicional.
Na prática, a medida amplia o acesso da carne estrangeira ao mercado americano e beneficia todos os países exportadores da proteína vermelha. Estão nesse grupo Brasil, Austrália, Argentina, Nova Zelândia e Uruguai.
O movimento da Casa Branca ocorre em meio à preocupação com a inflação dos alimentos, especialmente da carne bovina. O governo americano tenta conter o impacto da disparada de preços sobre o consumidor e, ao mesmo tempo, reagir à redução da oferta interna. Os Estados Unidos vivem hoje um ciclo pecuário baixista e enfrentam o menor rebanho dos últimos 75 anos.
Segundo pessoas que acompanham as negociações, a decisão já foi comunicada por interlocutores da Casa Branca à indústria e a importadores locais. A tendência é que os atos sejam publicados no fim do dia. Se não houver prorrogação, as tarifas atualmente em vigor voltam a valer após o prazo de 200 dias.
Para o setor brasileiro, a medida é vista com expectativa. Os frigoríficos aguardam a abertura maior do mercado americano desde que a cota de 65 mil toneladas com isenção tarifária foi preenchida ainda em janeiro. Desde então, os embarques passaram a pagar tarifa de 26,4%.
A avaliação de representantes do setor é que, embora a decisão tenha alcance geral, o Brasil aparece entre os países com maior capacidade de responder rapidamente ao aumento da demanda dos Estados Unidos.
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