Latam reduziu a projeção de demanda para junho após a forte alta no preço do combustível de aviação. (Foto: A. Frota)A escalada do preço do combustível já começou a atingir em cheio o setor aéreo. A Latam reduziu a estimativa de crescimento da demanda para junho, que era de 10% e agora passou para 7%, em meio ao avanço do querosene de aviação provocado pela guerra no Oriente Médio. O ajuste, segundo a companhia, é pontual, mas expõe como a crise externa já afeta a operação e o bolso das empresas.
O CEO da Latam no Brasil, Jerome Cadier, afirmou que a revisão está ligada ao peso do combustível e ao impacto disso no preço das passagens. Apesar da pressão, a empresa informou que não fez cortes relevantes de voos até agora e que, no momento, não há risco mapeado de desabastecimento nas bases em que opera, embora a situação siga sendo monitorada com fornecedores.
Os números mostram o tamanho do problema. No início do ano, a companhia pagava cerca de US$ 90 por barril de querosene de aviação. Para o segundo e o terceiro trimestres, a projeção já é de cerca de US$ 170, uma alta de 89%. A expectativa da empresa é de que esse valor recue para US$ 150 até o fim do ano.
Com consumo médio de 3 milhões de barris por mês, a Latam estima que, se o combustível permanecer nesse patamar, o custo trimestral com querosene chegará a US$ 1,5 bilhão. Só entre abril e maio, a despesa adicional prevista é de US$ 700 milhões. No primeiro trimestre, o impacto já havia sido de aproximadamente US$ 40 milhões.
A pressão sobre os custos ainda abre dúvida sobre um eventual repasse ao consumidor. O diretor financeiro Ricardo Bottas afirmou que essa decisão dependerá da reação da demanda e da capacidade do mercado de absorver o aumento. Já Cadier criticou a proposta de parcelamento do reajuste do querosene, ao dizer que a medida não reduz preços e apenas acrescenta custo financeiro às companhias.
Diante desse cenário, a empresa suspendeu suas estimativas de crescimento de oferta para 2026, que antes variavam entre 8% e 10%. Mesmo assim, manteve a projeção de Ebitda ajustado entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões. No primeiro trimestre, o grupo registrou lucro líquido de US$ 576 milhões, alta de 62,1% em relação ao mesmo período do ano passado, transportando 22,9 milhões de passageiros.
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