Movimento na Expogrande 2026 reflete expansão do agronegócio e diversificação da produção em Mato Grosso do Sul – (Foto: A Crítica)Quem passa pela 86ª Expogrande, em Campo Grande, encontra mais do que estandes cheios e negócios em andamento. O movimento dentro do Parque de Exposições Laucídio Coelho acompanha um cenário maior: o avanço do agronegócio em Mato Grosso do Sul.
Para o secretário-executivo da Semadesc, Rogério Beretta, a feira voltou a funcionar como um retrato fiel do setor. Segundo ele, o ambiente da Expogrande reflete o momento de crescimento vivido pelo campo no Estado.
Produção recorde sustenta expansão
Os números recentes ajudam a explicar esse cenário. Na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul registra uma das maiores produções da história, com 4,794 milhões de hectares plantados de soja e 17,7 milhões de toneladas colhidas.
Ao mesmo tempo, o eucalipto segue em expansão e já ocupa 1,89 milhão de hectares. Esse crescimento aparece diretamente dentro da feira, seja no volume de negócios, na presença de empresas ou no interesse de investidores.
Feira movimentará cerca de R$ 700 milhões durante os onze dias
Segundo Beretta, além das culturas consolidadas, novas cadeias produtivas começam a ganhar espaço no Estado.
Novas culturas ampliam o campo
A diversificação é um dos pontos que mais chamam atenção. Culturas como citros, amendoim, chia, gergelim e carinata passam a integrar o cenário produtivo.
A carinata, por exemplo, já teve cerca de 12 mil hectares cultivados, com produção destinada principalmente à exportação, voltada ao mercado de combustível sustentável para aviação.
Para o secretário, esse movimento exige estrutura completa. Não se trata apenas de plantar, mas de garantir insumos, logística, processamento industrial e mercado consumidor.
Produção atrai indústria
O avanço da produção começa a impactar diretamente a economia do Estado, com a chegada e ampliação de indústrias ligadas ao agro.
Entre os exemplos citados estão a expansão da cadeia da celulose, o crescimento do etanol de cereais e do biometano, além da instalação de indústrias relacionadas ao amendoim e, futuramente, ao processamento de laranja.
Segundo Beretta, esse processo ocorre de forma natural. À medida que a produção atinge escala, a indústria se aproxima para aproveitar o potencial.
Crescimento ocorre em áreas já abertas
Para o secretário-executivo da Semadesc, Rogério Beretta, a feira voltou a funcionar como um retrato fiel do setor
Um dos pontos destacados é que a expansão agrícola não tem avançado sobre vegetação nativa. De acordo com dados monitorados por satélite, o crescimento ocorre principalmente sobre áreas de pastagem.
Nos últimos 15 anos, cerca de 5,5 milhões de hectares foram convertidos em áreas produtivas. Muitas dessas regiões eram consideradas degradadas ou de baixa produtividade.
Pecuária se adapta com tecnologia
Com a redução de espaço, a pecuária também passa por mudanças. O setor tem investido em tecnologia para aumentar a produtividade por área.
Sistemas como a integração lavoura-pecuária-floresta já ocupam mais de 3,6 milhões de hectares no Estado, indicando uma transformação no modelo produtivo.
Segundo o secretário, a competitividade da atividade depende cada vez mais de genética, nutrição e manejo.
Feira mostra novo perfil do agro
A Expogrande também evidencia essa mudança. O Estado, antes associado principalmente à soja e ao milho, passa a apresentar um cenário mais diversificado.
Novas culturas começam a surgir, como o cacau em projetos menores e o café conilon em regiões específicas do norte.
Para Beretta, o que se vê dentro da feira é reflexo direto do que ocorre no campo. A diversidade produtiva, o avanço tecnológico e a chegada de novas indústrias ajudam a explicar o momento atual.
Com expectativa de movimentar cerca de R$ 700 milhões em negócios, a Expogrande 2026 reforça o papel de vitrine do agronegócio sul-mato-grossense, não apenas pelo volume financeiro, mas pela capacidade de mostrar, na prática, como o setor está se transformando.
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