O governo da Venezuela confirmou, nesta semana, a morte do preso político Víctor Hugo Quero Navas, detido desde janeiro de 2025. A informação foi divulgada cerca de nove meses após o falecimento e mais de um ano depois de familiares denunciarem o desaparecimento do homem.
Quero Navas havia sido preso no início de 2025, em meio a um cenário de instabilidade política e protestos relacionados ao governo de Nicolás Maduro, cuja permanência no poder foi contestada por setores da oposição.
Detenção, desaparecimento e morte sob custódia
Após a prisão, o detento foi encaminhado ao presídio de segurança máxima Rodeo I, no estado de Miranda, nas proximidades de Caracas. Durante meses, familiares afirmaram não ter qualquer informação oficial sobre seu paradeiro, o que levou a denúncias de possível desaparecimento forçado.
De acordo com o Ministério do Poder Popular para o Serviço Penitenciário, ele foi transferido em julho de 2025 para o Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo após apresentar um quadro de saúde grave, com hemorragia digestiva e febre.
O governo informou que, após cerca de dez dias internado, Quero morreu em 24 de julho de 2025, às 23h25, em decorrência de insuficiência respiratória aguda causada por tromboembolismo pulmonar.
Família denunciou falta de informações
Durante o período em que esteve preso, a família relatou dificuldades para obter informações sobre o estado de saúde e localização do detento. A mãe, Carmen Teresa Navas, chegou a recorrer a diferentes órgãos e autoridades em busca de respostas.
Segundo o governo, o preso não teria fornecido dados de familiares no momento da detenção — argumento contestado por organizações e pela própria família, que afirma ter buscado contato reiteradas vezes.
Repercussão e investigação
A confirmação tardia da morte provocou reações de entidades e lideranças políticas, que cobram esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso. O episódio também reforça críticas recorrentes sobre as condições do sistema prisional venezuelano e o tratamento dado a presos políticos.
Em nota oficial, o Ministério do Serviço Penitenciário lamentou o ocorrido e afirmou: “O Ministério do Poder Popular para o Serviço Penitenciário coloca-se à disposição das autoridades competentes para a revisão do caso, expressa suas condolências à família e garante a entrega dos restos mortais“.
Além disso, autoridades anunciaram a abertura de investigação para apurar possíveis responsabilidades e esclarecer as circunstâncias da morte, em meio à pressão de organizações de direitos humanos.
Contexto amplia pressão internacional
O caso ocorre em um cenário de constantes denúncias envolvendo detenções arbitrárias e falta de transparência no sistema judicial venezuelano. Organizações apontam que ainda há centenas de presos políticos no país, muitos deles sem acesso adequado à defesa ou comunicação com familiares.
A morte de Víctor Hugo Quero Navas, reconhecida meses após o ocorrido, reforça a preocupação internacional com a situação dos direitos humanos na Venezuela e aumenta a pressão por investigações independentes e maior transparência por parte das autoridades.
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