Jaques Wagner foi alvo de buscas da Polícia Federal na nova fase da Operação Compliance Zero. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (18) mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master, o PT da Bahia, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do parlamentar no caso.
Segundo a PF, Jaques Wagner é suspeito de ter recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos que somam R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. De acordo com os investigadores, essa estrutura teria sido usada para ocultar vantagens indevidas no contexto das fraudes apuradas.
A investigação também mira a possível atuação do senador em pautas de interesse do Banco Master no Congresso. A suspeita é de que Wagner tenha tratado diretamente com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, de propostas que poderiam beneficiar a instituição financeira.
Além dos endereços ligados ao senador, a Polícia Federal também cumpriu mandados em empresas e imóveis de Augusto Lima na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Ao todo, foram autorizados 18 mandados de busca e apreensão pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
A decisão judicial também prevê medidas cautelares contra investigados, como proibição de contato entre eles, suspensão de passaportes e uso de monitoração eletrônica.
Augusto Lima é apontado na investigação como nome importante na ligação entre o grupo empresarial e o ambiente político baiano
Augusto Lima é apontado na investigação como nome importante na ligação entre o grupo empresarial e o ambiente político baiano. Conforme o material, ele foi responsável por implementar, no governo da Bahia, durante a gestão de Jaques Wagner entre 2007 e 2014, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que mais tarde foi levado ao Banco Master. O Credcesta era considerado o principal ativo financeiro do banco.
A PF cita ainda a atuação de Jaques Wagner em discussões sobre propostas que ampliaram o acesso ao crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados, pensionistas do INSS, beneficiários do BPC e de programas sociais do governo federal. Segundo os investigadores, o senador teria participado de articulações ligadas a medidas vistas como estratégicas para o Master.
Os investigadores também apontam a presença de Wagner em debates sobre mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos, além do acompanhamento da possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília.
Esta é a primeira fase da Operação Compliance Zero voltada a políticos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em etapas anteriores, a Polícia Federal já havia mirado outros nomes da política nacional, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Augusto Lima chegou a ser preso na primeira fase da operação, em novembro do ano passado, mas depois foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Agora, volta a ser alvo de diligências no avanço das apurações.
Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as buscas eram desnecessárias, porque o empresário estaria há seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A defesa também declarou que as medidas devem contribuir para demonstrar que os fatos investigados nesta fase são lícitos.
Até a publicação original do conteúdo, Jaques Wagner não havia se manifestado sobre a operação.
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