Pesquisa aponta que 54% das brasileiras que já tiveram relacionamentos com homens sofreram algum tipo de violência. (Foto: Agência Câmara)Mais da metade das brasileiras que já se relacionaram com homens, o equivalente a 54%, afirma ter sofrido algum tipo de violência de parceiro ou ex-parceiro, enquanto apenas 11% dos homens admitem ter cometido agressões em relacionamentos, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (29).
O levantamento “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira” ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, em abril de 2026. O estudo foi realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber.
A violência psicológica aparece como a mais relatada pelas mulheres, mencionada por 42% das entrevistadas. Em seguida está a violência física, apontada por 25%.
Para 77% das mulheres, muitos homens ainda não reconhecem determinadas atitudes como formas de violência. Outros 82% avaliam que eles costumam se omitir ao presenciarem comportamentos agressivos praticados por outros homens.
Impunidade dificulta denúncias
A sensação de impunidade é o principal obstáculo para a denúncia, citada por 56% das entrevistadas. A demora da Justiça aparece na sequência, com 39%.
“A violência contra a mulher no Brasil segue em patamares alarmantes e crescentes”, afirmou Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.
Segundo ela, o Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos em 2025, aumento de 45% em relação ao ano anterior, além de 155 mil denúncias, média de 425 registros por dia.
Ao presenciarem uma agressão contra uma mulher, as entrevistadas disseram que acionariam com maior frequência a polícia ou outras autoridades. Entre os homens, a resposta mais comum foi a intervenção direta, com ou sem uso da força.
A Delegacia da Mulher é o canal de apoio mais conhecido entre as brasileiras, citada por três em cada quatro participantes.
Lei é conhecida, mas considerada insuficiente
A pesquisa também avaliou a percepção sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006.
Metade das mulheres, 49%, afirma conhecer bem a legislação. Apesar disso, 82% consideram que a lei, sozinha, não é suficiente para enfrentar a violência doméstica.
Sete em cada dez entrevistadas avaliam que a legislação produz efeitos reais na vida das mulheres, enquanto 54% dizem se sentir mais protegidas por causa dela.
As medidas protetivas de urgência são conhecidas por 83% das brasileiras. Já as medidas relacionadas à proteção patrimonial são conhecidas por apenas 38%.
A violência física é reconhecida por 88% das entrevistadas como uma das formas previstas na lei, mas somente 46% sabem que a violência patrimonial também está incluída.
Para os responsáveis pela pesquisa, os dados mostram que comportamentos ligados a controle, vigilância e violência psicológica ainda são naturalizados dentro dos relacionamentos, mesmo duas décadas após a criação da legislação.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Mídia MS no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.







