Homens responderam por 74,7% dos acidentes de trabalho registrados no Brasil desde 2023. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)O Brasil registrou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 222.139 ocorrências.
A contagem passou a incluir todos os acidentes de trabalho atendidos pelos serviços de saúde a partir de 2023, quando uma portaria do Ministério da Saúde ampliou a notificação obrigatória. Antes da mudança, apenas casos graves, fatais ou envolvendo crianças e adolescentes precisavam ser comunicados.
Para a entidade, os números ajudam a dimensionar os efeitos dos acidentes sobre os trabalhadores, a Previdência Social e os serviços públicos e privados de saúde. Ainda assim, a estimativa é de que o total real seja maior por causa da subnotificação.
“Muitas vezes, não tem uma avaliação correta ou falta a empresa, o próprio trabalhador ou o sindicato ao qual pertence abrir uma Comunicação de Acidente de Trabalho”, afirmou a diretora científica adjunta da Anamt, Rosylane Rocha.
Homens e jovens adultos concentram casos
Os homens estiveram envolvidos em 1.376.463 notificações, o equivalente a 74,7% do total. Entre as mulheres, foram registrados 466.921 acidentes, ou 25,3%. Em 220 ocorrências, o sexo não foi informado.
A maior concentração aparece entre trabalhadores de 20 a 49 anos. A faixa de 20 a 34 anos somou 783.598 casos, enquanto as pessoas de 35 a 49 anos responderam por 610.441 registros.
Juntos, os dois grupos reuniram 1.394.039 notificações, correspondentes a 75,6% dos acidentes contabilizados.
Entre adolescentes e jovens de 15 a 19 anos, foram registrados 107.154 casos. Como os dados agrupam menores e maiores de 18 anos, não é possível determinar quantas ocorrências estavam relacionadas ao trabalho infantil ou a atividades proibidas pela legislação.
Segundo Rosylane Rocha, a construção civil está entre os setores com elevado número de acidentes e também concentra grande presença de trabalhadores homens.
Centro-Oeste soma 175 mil notificações
Sudeste e Sul responderam juntos por 1.338.895 acidentes, o equivalente a 72,6% do total nacional.
O Sudeste liderou com 788.518 notificações, ou 42,8%, seguido pelo Sul, com 550.377 casos, ou 29,9%.
O Nordeste registrou 223.250 acidentes, enquanto o Centro-Oeste contabilizou 175.366 ocorrências, o equivalente a 9,5% dos registros. A Região Norte teve 106.093 casos.
De acordo com a associação, a elevada participação do Sudeste e do Sul também está relacionada ao maior número de empresas e ao tamanho da população dessas regiões.
São Paulo lidera entre os estados, com 533.557 registros. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul, com 245.641, Paraná, com 197.011, Minas Gerais, com 152.192, e Santa Catarina, com 107.725.
Esses cinco estados reúnem 67% das notificações do país.
Dados devem orientar prevenção
O presidente da Anamt, Francisco Cortes Fernandes, afirmou que as informações ajudam a planejar medidas contra riscos capazes de comprometer a vida, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
Para Rosylane Rocha, a divulgação dos registros deve servir de alerta para autoridades e empregadores, além de auxiliar na criação de políticas públicas e programas de prevenção dentro das empresas.
“É importante que a gente possa chamar atenção das autoridades, dos próprios empresários, porque a gente precisa usar essas informações para a construção de políticas públicas mais eficazes”, declarou.
A ampliação das notificações, segundo a associação, permite identificar com maior precisão onde os acidentes acontecem, quem são os trabalhadores mais expostos e quais circunstâncias contribuem para as ocorrências.
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