Especialistas discutiram desinformação, consumo de mídia e confiança na imprensa. – Foto: Gabriela Porto / Portal RCN 67
O avanço das redes sociais, das plataformas digitais e da desinformação foi tema do 4º Fórum Midiacom MS, realizado nesta quarta-feira (27), no Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande. Com o tema “Entre algoritmos e boatos: A imprensa profissional como curadora do fato”, o encontro reuniu especialistas para discutir os desafios da comunicação em um cenário marcado por bolhas digitais, excesso de informação e crise de confiança.
Promovido pela Associação das Emissoras de Rádio e TV de Mato Grosso do Sul (Midiacom MS), o evento destacou o papel do jornalismo profissional na checagem de informações e no combate às fake news.
Um dos palestrantes convidados foi o consultor e especialista em mídia e inteligência de negócios, Fernando Morgado. Durante a apresentação, ele reforçou que rádio e televisão continuam entre os meios de comunicação mais consumidos pelos brasileiros, mesmo diante do crescimento das plataformas digitais.
Segundo dados apresentados no fórum, oito em cada dez brasileiros escutam rádio. Em média, cada pessoa passa três horas e quarenta e sete minutos por dia ouvindo o meio. Já a TV aberta alcança cerca de 66,7% da população.
“Esse evento é muito importante porque é mais uma demonstração das emissoras de rádio e TV aberta daqui do estado do compromisso com a informação de qualidade”, afirmou Morgado.
O especialista destacou que a principal diferença da imprensa profissional está no processo de apuração e responsabilidade sobre aquilo que é publicado.
“É a informação checada, a informação apurada e, sobretudo, produzida por profissionais qualificados para tal”, disse.
Redes sociais e desinformação
Durante a palestra, Fernando Morgado afirmou que, embora as redes sociais tenham democratizado o acesso à informação, elas também ampliaram a circulação de conteúdos sem critério técnico ou compromisso com a verdade.
“Uma coisa é cometer um erro, outra coisa é você fazer mal feito como um negócio, tendo a mentira como um negócio numa escala exponencial e de difícil controle”, afirmou.
Morgado também rebateu a narrativa de que rádio e televisão estejam perdendo espaço para as plataformas digitais. Segundo ele, houve mudança na forma de consumo, mas não perda de relevância da mídia tradicional.
“Existe uma mudança na forma de consumo. Isso é diferente de perda de força. O rádio e a televisão seguem extremamente relevantes”, pontuou.
Polarização e bolhas digitais
Outro destaque do fórum foi a palestra do cientista político Felipe Nunes, Ph.D. em ciência política e mestre em estatística pela Universidade da Califórnia em Los Angeles. O pesquisador apresentou dados do estudo “Brasil no Espelho”, que entrevistou 10 mil brasileiros para analisar comportamento, percepção política e valores sociais.
Segundo ele, o país vive hoje um ambiente marcado por polarização, excesso de informação superficial e desconfiança coletiva.
“O que está por trás de tudo isso é a criação de um novo ecossistema de comunicação, de uma sociedade de bolha, de uma sociedade que está confortável em não querer se informar”, afirmou.
Felipe Nunes explicou que os extremos políticos acabam parecendo maiores do que realmente são por causa da dinâmica das redes sociais.
“A polarização existe na nossa cabeça. Embora os polos sejam menores, eles parecem muito maiores porque gritam mais”, disse.
O pesquisador também apresentou dados sobre a dificuldade dos brasileiros em identificar informações básicas sobre o país. Segundo ele, 42% dos entrevistados erraram todas as perguntas de um teste simples sobre economia, violência, desemprego e pandemia. Mesmo assim, a maioria acreditava ter acertado.
Para Felipe Nunes, esse cenário fortalece a chamada “ilusão do conhecimento” e amplia os efeitos da desinformação.
“O jornalismo profissional tem o papel de desconstruir a ilusão do conhecimento”, afirmou.
Papel da imprensa
Ao longo do evento, os palestrantes defenderam o fortalecimento da mídia profissional como forma de enfrentar a desinformação e recuperar a confiança pública.
O fórum também discutiu a importância de ampliar pesquisas, dados de audiência e estudos sobre consumo de mídia para combater a percepção de perda de relevância do rádio e da televisão.
A edição deste ano reuniu empresários, profissionais da comunicação, estudantes e representantes do setor de rádio e TV de Mato Grosso do Sul.
O post Fórum Midiacom debate força do rádio e avanço das bolhas digitais apareceu primeiro em RCN67.
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