Avanço de ataques e fraudes coloca a agenda de cibersegurança no centro do debate institucional e econômico. (Foto: Fred Tanneau)A cibersegurança passou a ocupar um espaço estratégico no debate sobre economia, serviços públicos e estabilidade institucional no Brasil. Em meio ao avanço da digitalização, especialistas avaliam que o país chegou a um ponto em que a criação de um marco legal mais amplo para o setor deixou de ser apenas desejável e se tornou uma necessidade diante do aumento das ameaças e da falta de coordenação regulatória.
A avaliação parte do diagnóstico de que a economia brasileira está cada vez mais dependente de sistemas conectados. Serviços financeiros em tempo real, plataformas públicas e cadeias produtivas digitais ampliaram a exposição a ataques virtuais e elevaram o tamanho do risco para empresas, governos e cidadãos.
Empresas já enfrentam milhares de ataques por semana, fraudes alcançam parte relevante da população e o custo médio por incidente supera US$ 1 milhão, segundo o texto. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial vem reduzindo o custo das ofensivas e aumentando a velocidade de exploração de vulnerabilidades.
A combinação entre IA, desinformação, tensão geopolítica, sofisticação dos ataques e digitalização crescente amplia o potencial de crises com efeitos sobre mercados e confiança. O impacto, segundo os autores, já alcança uma parcela relevante do Produto Interno Bruto e ajuda a explicar por que o Tribunal de Contas da União classifica a cibersegurança como um risco elevado, diante de fragilidades de governança, coordenação e ausência de um marco legal consolidado.
Na avaliação apresentada, a proposta teria papel estruturante por estabelecer diretrizes, definir agentes obrigados e adotar uma abordagem baseada em risco, em linha com práticas internacionais. Outro ponto destacado é a criação de um órgão central, visto como peça importante para coordenar políticas, harmonizar regulações e ampliar a capacidade de resposta do país.
Os autores também destacam que a discussão ganha força com a convergência entre a proposta do CNCiber e a iniciativa legislativa em andamento no Senado. Para eles, esse encontro abre uma oportunidade concreta de transformar a cibersegurança em política de Estado.
Além do argumento institucional, o texto sustenta que há uma lógica econômica clara por trás da urgência. A tese é que prevenir ao menos parte dos prejuízos provocados por ataques digitais pode gerar economia bilionária e retorno superior ao custo de implementação das medidas de proteção.
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