Uso de drones termais no Projeto Sucuriú ampliou a identificação de primatas em áreas de mata em Inocência (Foto: Arauco)O uso de drones com sensores termais tem ampliado o monitoramento de primatas no Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. A tecnologia passou a ser empregada para identificar, com mais precisão, a presença e o deslocamento de espécies que vivem nas copas das árvores, em áreas de difícil acesso por métodos convencionais.
A iniciativa ganha destaque às vésperas do Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado em 22 de maio, e reforça o uso de ferramentas tecnológicas em ações de conservação ambiental. Segundo a empresa, os equipamentos ajudam a localizar animais como o bugio-preto (Alouatta caraya) e o macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), ambos classificados como vulneráveis ao risco de extinção.
De acordo com o biólogo da Arauco, Gonzalo Flores, embora a tecnologia já seja aplicada em estudos ambientais, ainda não há registros semelhantes desse uso no acompanhamento de primatas em Mato Grosso do Sul. “O emprego dos drones termais tem se mostrado de alta relevância, pois, além de oferecer maior agilidade e precisão, amplia a área monitorada e permite acessar regiões de difícil alcance, como veredas e corpos d’água, o que representa um avanço importante em relação às metodologias tradicionais”, afirma.
Gonzalo Flores, biólogo da Arauco, destaca a importância do uso de drones termais no monitoramento de primatas no Projeto Sucuriú, em Inocência
Os resultados iniciais apontam avanço importante no conhecimento sobre a fauna presente na área do projeto. Em levantamentos anteriores, feitos apenas por monitoramento terrestre, havia confirmação de um grupo de bugios-pretos e indícios de até outros dois. Com o uso dos drones, após poucos dias de operação e mais de 120 quilômetros percorridos em áreas florestais no entorno das estruturas de captação de água e emissário de efluentes tratados, foram identificados pelo menos sete grupos de bugio-preto, além de um grupo de macaco-prego-do-papo-amarelo.
O monitoramento é considerado estratégico porque essas espécies têm hábito predominantemente arbóreo e passam a maior parte do tempo no dossel florestal, o que dificulta a visualização direta a partir do solo ou por armadilhas fotográficas. A proposta do estudo é compreender melhor a ecologia e o comportamento desses animais nas áreas influenciadas pelo empreendimento e, com base nisso, subsidiar medidas de mitigação de impactos ambientais.
Segundo a gerente de Meio Ambiente da Arauco Celulose Brasil, Camila Paschoal, as informações produzidas pelo monitoramento vão além do simples registro das espécies. “Todos os dados gerados são utilizados para futuramente integrar planos de conservação de áreas naturais, espécies ameaçadas de extinção e criação de estratégias de mitigação de impacto”, afirma.
Drone com sensor termal sobrevoa área florestal em Inocência durante monitoramento de primatas ameaçados. (Foto: Arauco)
Entre as medidas em avaliação está a possível implantação de duas passagens superiores de fauna voltadas à conectividade de dossel para primatas e outras espécies arborícolas. Segundo a empresa, as estruturas podem vir a se tornar as maiores passagens de fauna do mundo nesse modelo, como resposta aos efeitos da fragmentação florestal.
A Sauá Consultoria Ambiental atua como parceira técnica da Arauco no trabalho de monitoramento. A consultoria integra o Grupo de Assessoramento Técnico do PAN CERPAM, plano nacional voltado à conservação de espécies ameaçadas de peixes, répteis, anfíbios e primatas do Cerrado, Pantanal e Amazônia.
Responsável técnica da consultoria, a bióloga Carolina Garcia explica que o drone termal identifica os animais pela assinatura térmica, ou seja, pela radiação infravermelha emitida pelo corpo, que aparece em contraste com a vegetação, principalmente nas primeiras horas da manhã. “Ele permite identificar os animais por meio de sua assinatura térmica, ou seja, da radiação infravermelha emitida pelo corpo dos animais, que aparece em contraste com a vegetação, especialmente nas primeiras horas da manhã, quando a vegetação ainda se encontra mais fria em função da noite anterior”, diz.
Na região do Sucuriú, os voos costumam começar por volta das 5h, após a dissipação da neblina. Durante esta campanha, além dos primatas, também foram registradas outras espécies de interesse ecológico, como jaguatirica, anta, queixada, araras e urubu-rei.
Segundo a empresa, para evitar perturbações à fauna, os voos são feitos a uma distância segura, com observação do comportamento dos animais e seguindo protocolos específicos. A atividade ocorre de forma pontual e periódica, em média a cada três meses.
O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento é de US$ 4,6 bilhões e prevê a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose por ano. O empreendimento está instalado em uma área de 3.500 hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência, ao lado do Rio Sucuriú. A terraplanagem começou em 2024 e a previsão de operação é para o fim de 2027.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Mídia MS no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.





