Dando sequência à sua agenda política na Capital sul-mato-grossense, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), participou na noite desta sexta-feira (15) do encontro “Diálogo sobre o Desenvolvimento do Brasil”, realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).
Após passar por sabatina com a imprensa e se reunir com lideranças evangélicas à tarde, Caiado concentrou o debate da noite no PIB produtivo, infraestrutura e segurança jurídica.
Apoiado por fortes dados de crescimento de Goiás e de Mato Grosso do Sul, o presidenciável defendeu um modelo de gestão técnica e o uso intensivo de tecnologia para conter o avanço da esquerda na América Latina.
O evento contou com cobranças e análises profundas das principais lideranças empresariais e econômicas do Estado.
Tecnologia e tolerância zero como modelo para o país
Em um discurso de mais de quarenta minutos, Ronaldo Caiado criticou a falta de projetos estruturantes do governo federal e apresentou a eficiência administrativa de Goiás como a resposta eleitoral para 2026.
“Nós ganhamos em 2018, perdemos em 2022. E o estrago que foi só derrota? Não, foi muito mais que a derrota. Tudo isso é consequência de uma derrota que voltou o governo e deteriorou ainda mais as contas públicas e cada vez mais investiu no populismo sem responsabilidade. Sabe qual é a chance do PT no estado de Goiás? Nenhuma nos próximos 100 anos. Por quê? Porque a maior vacina contra o PT é saber governar.”
O governador destacou o pioneirismo de Goiás, que já possui uma legislação de inteligência artificial há mais de três anos e utiliza plataformas de reconhecimento instantâneo no combate ao crime.
O pré-candidato destacou que Goiás alcançou o primeiro lugar nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e investiu pesadamente em tecnologia. Caiado revelou que o estado possui uma legislação de inteligência artificial aprovada há mais de três anos e criticou o governo federal por tentar copiar modelos europeus que, segundo ele, criminalizam a inovação.
Crise no bolsonarismo e união no segundo turno
Questionado sobre as recentes denúncias que agitam os bastidores de Brasília envolvendo o entorno do bolsonarismo, Caiado foi categórico ao blindar sua trajetória e defender o pragmatismo eleitoral da centro-direita.
- O governador destacou seus 40 anos de vida pública sem nenhuma mancha ou investigação que desonre sua biografia.
- Defendeu que problemas de ordem pessoal ou partidária devem ser resolvidos pelas instâncias de ética de cada instituição, sem contaminar o debate majoritário.
- Caiado garantiu que o bloco de oposição permanecerá unido na linha de chegada: “Isso aí não vai provocar uma cizânia e nem uma ruptura do compromisso principal nosso, que é: quem chegar no segundo turno, todos nós vamos abraçar a causa para derrotar o governo nacional.”
Choque de infraestrutura: exploração imediata de recursos
O pré-candidato apresentou uma visão desenvolvimentista agressiva para o Brasil enfrentar a concorrência com potências asiáticas. Ele lamentou que o país continue operando como uma “colônia exportadora de matéria-prima bruta” para a China enquanto importa produtos manufaturados de alto valor agregado.
Caiado assumiu o compromisso de destravar gargalos de infraestrutura energética e mineral de forma imediata caso chegue ao Palácio do Planalto:
“Você acha que eu, presidente, não vou explorar a margem equatorial no mesmo dia? No mesmo dia. Você acha que com o potássio e o fósforo eu não vou explorar as minas do Brasil no mesmo dia? Isso se chama segurança alimentar, é segurança do povo.”
Ele também criticou duramente o programa “Desenrola” do governo federal, afirmando que a gestão atual “foi quem primeiro enrolou a população ao induzi-la ao endividamento” através da inflação e dos juros altos.
Custo Brasil e atração de investimentos na indústria
O presidente da Fiems, Sérgio Longen, abriu o painel manifestando a preocupação do setor com propostas que tramitam em Brasília, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, que estima um custo de R$ 127 bilhões anuais para o país.
Longen também alertou para a perda de competitividade frente ao avanço de produtos internacionais.
“O indicador não é muito favorável e no papel da padaria qualquer um já sabe fazer a conta. É que a Selic é desse tamanho porque, se baixar, o governo tem que sacar o dinheiro e não tem. Então, vamos aumentando e vamos rolando a conta. E quem tá pagando? O investimento brasileiro, não temos mais investimento brasileiro. A competitividade brasileira está se acabando, na indústria principalmente.”
Apesar das críticas ao cenário nacional, o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, trouxe números robustos sobre a realidade local, apontando que Mato Grosso do Sul tem dobrado o seu PIB a cada seis ou sete anos.
“Mato Grosso do Sul apresenta avanço consistente do PIB. Quando a gente fala ali de ambiente amigável aos negócios e favorável ao desenvolvimento, o que a gente pode ter como principal síntese dessa sentença? Investimento. E em Mato Grosso do Sul, a gente tem hoje uma carteira privada de investimentos industriais superior a 115 bilhões de reais, no intervalo de 2023 até 2030.”
Agronegócio alerta para dependência da China e invasões de terra
Representando o setor produtivo rural, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertoni, relembrou os tempos em que Caiado liderava a União Democrática Ruralista (UDR) e expôs gargalos preocupantes de Mato Grosso do Sul, como a infraestrutura rodoviária saturada e a necessidade de abertura de novos mercados internacionais para reduzir a dependência da Ásia.
“Nós vendemos 47,2% de tudo o que é produzido aqui dentro para eles. E não é reclamar, eu acho que a gente precisa de um governo, principalmente, que comece a abrir novos mercados para a gente conseguir popularizar isso e não ficar refém na mão de um só comprador com esse volume imenso aqui do Estado. Nas nossas demandas, precisamos viver em harmonia e conseguir ter previsibilidade, segurança jurídica e paz no campo.”
Neste sábado (16), Ronaldo Caiado encerra sua agenda em Mato Grosso do Sul no município de Dourados, onde visitará a Expoagro e participará de um leilão de pecuária a convite de lideranças do setor.
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