Bancos aumentam provisões em 33% com piora do crédito e inadimplência em alta – (Foto: ABrasil)Os grandes bancos começaram o ano com um movimento claro de defesa: separaram mais dinheiro para se proteger de possíveis calotes.
Banco do Brasil, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco somaram R$ 44,8 bilhões em provisões para perdas com crédito no primeiro trimestre, volume 33% maior do que no mesmo período do ano passado. O aumento reflete um ambiente de crédito mais pesado, com juros altos, famílias e empresas mais endividadas e um cenário externo que piorou com a guerra no Oriente Médio e a alta do petróleo.
Embora parte desse avanço venha de uma regra mais rígida para reconhecer perdas, o pano de fundo continua sendo a piora da economia para quem precisa tomar crédito e pagar contas em dia. O analista Nícolas Merola, da EQI Research, resumiu o momento ao afirmar que o país vive “um momento de inflexão do ciclo, com o efeito atrasado da política monetária”. Na prática, os bancos já estão se preparando para um dano maior à frente, sobretudo nas carteiras mais sensíveis ao aperto monetário.
O caso mais pesado apareceu no Banco do Brasil, que registrou R$ 18,9 bilhões em custo de crédito entre janeiro e março, salto de 86% em um ano. O problema maior está no agronegócio, carteira central do banco, pressionada por preços voláteis de commodities e eventos climáticos.
A inadimplência rural subiu de 2,76% para 6,22% em 12 meses. O BB ainda esperava recuperar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões por trimestre em créditos, mas ficou em R$ 1,2 bilhão. Segundo o CFO do banco, Geovanne Tobias, “a carteira do agronegócio, sem dúvida alguma, é o maior ofensor, em termos de risco do crédito”.
Nos bancos privados, a piora apareceu de forma mais espalhada. O Santander teve o avanço mais forte na inadimplência, que chegou a 3,3%. No Bradesco, a alta foi mais contida, e no Itaú o indicador geral ficou estável em 1,9%, embora tenha crescido entre micro, pequenas e médias empresas.
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