Especialistas apontam falhas e atraso no plano do governo Lula para enfrentar facções criminosas. (Foto: Pedro Kirilos)O plano do governo Lula para combater facções criminosas foi recebido como um avanço por especialistas em segurança pública, mas também gerou críticas pela demora no lançamento e por lacunas consideradas centrais. Entre os principais pontos levantados está a ausência de medidas mais claras para a retomada de territórios hoje dominados por facções e milícias.
Lançado nesta terça-feira (12), o Programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê investimento de R$ 11 bilhões e aposta em quatro frentes principais: asfixia financeira das organizações criminosas, reforço da segurança no sistema prisional, qualificação das investigações de homicídios e combate ao tráfico de armas. Entre as medidas vistas como promissoras estão a criação de uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de alcance nacional e a adoção de padrão de segurança máxima em 138 presídios estratégicos.
Apesar disso, especialistas avaliam que o programa chega tarde e ainda deixa dúvidas sobre como enfrentar o domínio territorial imposto por grupos criminosos em diversas regiões do País. Para o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, um plano de segurança apresentado a poucos meses da eleição e sem foco direto na retomada dessas áreas perde efetividade. Ele argumenta que a presença do crime organizado é percebida pela população principalmente nas barricadas, na extorsão e no controle de comunidades.
Esse diagnóstico aparece também em números. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha apontou que 41% dos brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem a presença, no bairro onde vivem, de grupos ligados ao tráfico ou a milícias. Entre essas pessoas, três em cada quatro já evitaram determinados lugares por causa dessa atuação criminosa.
Há, no entanto, diferenças na forma de enfrentar o problema. A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, avalia que o enfraquecimento do poder bélico das facções deve vir antes da retomada territorial. Para ela, rastrear armas e entender como esse armamento chega às mãos dos grupos criminosos é etapa decisiva para reduzir a força dessas organizações.
Outro ponto de crítica é o alcance real dos recursos anunciados. Embora o programa fale em R$ 11 bilhões, apenas R$ 1,06 bilhão está previsto para uso direto em 2026. Os outros R$ 10 bilhões dependem de uma linha de crédito voltada a Estados e municípios, o que, segundo especialistas e o próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública, limita o impacto imediato da medida, já que parte dos governos locais enfrenta restrições de endividamento.
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