Classe média permanece mais tempo no aluguel diante da alta dos imóveis, juros elevados, entrada pesada e crédito mais difícil no Brasil. – (Foto: Divulgação)A casa própria continua no imaginário de milhões de brasileiros, mas tem ficado mais distante para uma parcela cada vez maior da classe média. O avanço do aluguel no País revela esse movimento: mesmo com renda mais alta, muitas famílias não conseguem bancar a entrada de um imóvel, enfrentar prestações longas e ainda absorver o aumento do custo de vida.
O professor de inglês Rafael Bezerra, de 44 anos, representa esse cenário. Morando de aluguel há três anos, ele paga R$ 1.890 por um apartamento de 40 metros quadrados e tenta organizar a vida financeira para, no futuro, sair da locação e comprar o primeiro imóvel.
Os números mostram que a situação de Rafael não é isolada. Entre 2016 e 2025, o total de imóveis alugados no Brasil passou de 12,2 milhões para 18,9 milhões, um salto de cerca de 55%. No mesmo período, a fatia de domicílios próprios caiu de 66,8% para 60,2%.
Embora a construção de imóveis tenha crescido, comprar ficou mais difícil para quem está no meio do caminho: não se enquadra com facilidade nos subsídios mais amplos e também não tem renda suficiente para lidar com juros altos, exigências de crédito e entrada de 20% a 30% do valor do imóvel. Com orçamento apertado, despesas essenciais mais caras e alto nível de endividamento, guardar dinheiro virou um desafio diário para boa parte da população.
Esse aperto também aparece no mercado de locação. O aluguel subiu 8,63% em 12 meses e o preço médio do metro quadrado para locação saltou de R$ 30,37, em março de 2020, para R$ 52,34 neste ano. Para muitas famílias, alugar deixou de ser uma fase passageira e passou a funcionar como solução mais viável no curto prazo, principalmente em áreas urbanas bem localizadas.
Ao mesmo tempo, investidores, incorporadoras e empresas do setor passaram a olhar a locação com mais atenção, impulsionados pela demanda por imóveis compactos, funcionais e em regiões centrais. O resultado é um mercado aquecido para quem oferece imóveis, mas mais pesado para quem depende deles para morar.
Diante desse quadro, programas habitacionais e mudanças nas regras de financiamento surgem como tentativa de aliviar a pressão, especialmente com a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para famílias de renda mais alta e com ajustes no crédito da Caixa e no teto do SFH.
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