A chamada hipertensão arterial não está ligada apenas a fatores físicos como alimentação inadequada, sedentarismo ou predisposição genética. Especialistas alertam que aspectos emocionais também desempenham papel relevante tanto no surgimento quanto no controle da doença, que afeta milhões de pessoas e pode evoluir de forma silenciosa.
Condições como estresse crônico, ansiedade e depressão mantêm o organismo em estado constante de alerta, alterando mecanismos fisiológicos que regulam a pressão arterial.
Impacto físico e comportamental
Segundo o cardiologista Marcelo Bergamo, alterações emocionais ativam sistemas importantes do corpo, como o sistema nervoso simpático e o eixo hormonal do estresse, o que pode elevar a pressão.
“Não é raro que pacientes hipertensos também apresentem algum grau dessas condições emocionais. Na prática, o sofrimento mental pode atrapalhar a rotina da medicação, piorar a qualidade do sono, reduzir a prática de atividade física e favorecer uma alimentação mais desregulada, com maior consumo de sal e ultraprocessados”, explica Bergamo.
A hipertensão é caracterizada quando os níveis de pressão atingem ou ultrapassam 140/90 mmHg em repouso. Mesmo sem sintomas evidentes, a condição aumenta o risco de complicações graves, como infarto, AVC e doenças renais.
Sinais que merecem atenção
A influência da saúde mental pode ser percebida em situações específicas, como elevações da pressão em momentos de tensão emocional. Sintomas como palpitações, sudorese, dores de cabeça e oscilações frequentes nos níveis de pressão ao longo do dia podem indicar essa relação.
Por isso, o monitoramento regular e o acompanhamento médico são fundamentais, especialmente para quem já possui diagnóstico ou histórico familiar da doença.
Ciclo que agrava o problema
Além dos efeitos diretos no organismo, a saúde mental também interfere no comportamento dos pacientes. Quadros de ansiedade podem levar ao uso irregular de medicamentos, enquanto a depressão pode reduzir a motivação para manter hábitos saudáveis.
Fatores como sono inadequado, sedentarismo, alimentação desregulada e consumo de álcool reforçam essa conexão.
“A pessoa dorme pior, se movimenta menos, come de forma mais impulsiva e pode recorrer ao álcool como forma de aliviar o estresse. O resultado é um ciclo em que um problema alimenta o outro”, explica Bergamo.
Corpo em estado de alerta constante
De acordo com o médico de família Tiago Rodrigues Cavalcante, o vínculo entre saúde mental e pressão alta está relacionado à sobrecarga contínua do organismo.
“A hipertensão arterial sistêmica é o resultado físico dessa sobrecarga emocional e fisiológica. Quando o corpo permanece em estado de alerta constante, os vasos sanguíneos ficam mais contraídos e rígidos, dificultando a passagem do sangue. Com o tempo, a pressão pode subir com mais frequência. Em quem já tem diagnóstico de hipertensão, o estresse crônico funciona como um agravante, provocando picos de pressão e maior oscilação ao longo do dia”, afirma Rodrigues.
Abordagem mais ampla no tratamento
Diante desse cenário, especialistas defendem que o controle da hipertensão vá além do uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida. O cuidado com a saúde mental passa a ser considerado parte essencial da prevenção e do tratamento, ajudando a interromper o ciclo que conecta emoções e doenças cardiovasculares.
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