Mato Grosso do Sul registrou alta no número de ocupados e renda recorde em 2025, mas desigualdades salariais e sociais continuam no estado. – (Foto: ABrasil)Mato Grosso do Sul terminou 2025 com mais gente trabalhando e com um volume maior de renda circulando na economia, mas os dados divulgados ontem (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda mostram um cenário de forte desigualdade. O total de pessoas ocupadas chegou a 1,462 milhão, alta de 4% em relação a 2024.
O crescimento foi puxado por homens e mulheres, com destaque para a faixa de 18 a 29 anos, que passou a representar o maior grupo entre os trabalhadores do estado.
Ao mesmo tempo, o levantamento revela uma mudança no perfil da ocupação. Aumentou a presença de pessoas com ensino médio completo e também de trabalhadores com nível superior, reforçando a ligação entre escolaridade e acesso ao mercado de trabalho.
O avanço do emprego, porém, não eliminou diferenças históricas. Em 2025, os homens ocupados somavam 825 mil, contra 638 mil mulheres, e também seguiram com rendimento médio superior: R$ 4.127, ante R$ 3.210 entre as mulheres. A desigualdade racial também permaneceu evidente.
Trabalhadores brancos tiveram rendimento médio de R$ 4.527, enquanto pretos receberam R$ 3.046 e pardos, R$ 3.187. Ainda assim, o estado aparece entre os maiores rendimentos médios do país, com média geral de R$ 3.727. Outro dado que chama atenção é o peso da escolaridade na renda, quem tinha ensino superior completo recebeu, em média, R$ 6.632, mais que o triplo dos R$ 1.824 registrados entre pessoas sem instrução.
Trabalhadores brancos tiveram rendimento médio de R$ 4.527, enquanto pretos receberam R$ 3.046 e pardos, R$ 3.187 – (Foto: ABrasil)
A pesquisa também mostra que a renda do trabalho não é a única base de sustento das famílias sul-mato-grossenses. Em 2025, 1,895 milhão de pessoas tinham algum tipo de rendimento, o equivalente a 66,5% da população. Desse total, 302 mil recebiam aposentadoria ou pensão, faixa que corresponde a 10,6% dos moradores do estado. Já os programas sociais do governo alcançavam 194 mil pessoas, ou 6,8% da população.
No caso do Bolsa Família, houve recuo no número de domicílios atendidos depois do pico de 2024. O percentual caiu de 13% para 9,5% em 2025, colocando MS entre os estados com menor presença do benefício no país. Mesmo assim, os dados indicam mudança no perfil dos beneficiários: cresceu a participação de pessoas com ensino médio completo e também, ainda que em menor escala, de quem tem nível superior.
No topo da economia estadual, a renda bateu recorde. A massa de rendimento mensal domiciliar per capita chegou a R$ 6,755 bilhões. Mas a divisão desse total continua concentrada. Sozinho, o 1% mais rico ficou com 8,2% de toda a renda do estado, enquanto os 10% mais ricos concentraram 36,3%. Na outra ponta, os 10% mais pobres ficaram com apenas 1,7%.
Em valores médios, a distância é ainda mais clara. Os 10% mais ricos receberam R$ 13.569 por mês, enquanto os 10% mais pobres tiveram média de R$ 750. Entre quem recebe Bolsa Família, o rendimento domiciliar per capita foi de R$ 930, bem abaixo dos R$ 2.595 observados entre os que não dependem do benefício.
TemaDado principalPessoas ocupadas em MS1,462 milhão em 2025Variação anualAlta de 4% em relação a 2024Homens ocupados825 milMulheres ocupadas638 milMaior grupo etário18 a 29 anos, com 389 mil ocupadosEscolaridade predominanteEnsino médio completo, com 488 mil ocupadosRendimento médio geralR$ 3.727Rendimento médio dos homensR$ 4.127Rendimento médio das mulheresR$ 3.210Rendimento médio de brancosR$ 4.527Rendimento médio de pretosR$ 3.046Rendimento médio de pardosR$ 3.187Renda de quem tem superior completoR$ 6.632Aposentados e pensionistas10,6% da populaçãoPopulação em programas sociais6,8% da populaçãoDomicílios com Bolsa Família9,5% em 2025Massa de rendimento mensalR$ 6,755 bilhõesParcela dos 10% mais ricos36,3% da renda totalMédia dos 10% mais ricosR$ 13.569Média dos 10% mais pobresR$ 750
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