Estudo da FGV aponta que economia brasileira cresce acima da capacidade produtiva há três anos, pressionando inflação e juros (Foto: Arquivo/Agência Brasil)A economia brasileira vem crescendo acima da sua capacidade produtiva há três anos consecutivos, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo aponta que o chamado “hiato do produto”, diferença entre o PIB real e a capacidade máxima de produção do país sem gerar inflação, ficou positivo em 3,4% no fim de 2025.
Na prática, isso significa que o consumo e a atividade econômica estão crescendo mais rápido do que a capacidade do país de produzir bens e serviços. Para especialistas, esse cenário ajuda a pressionar a inflação e dificulta a redução da taxa básica de juros, a Selic.
Segundo o pesquisador Claudio Considera, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, a situação está ligada principalmente à falta de investimentos no país. Ele afirma que os juros altos e as incertezas econômicas acabam desestimulando empresas a ampliarem a capacidade produtiva, criando um desequilíbrio entre oferta e demanda.
O estudo mostra que o Brasil passou oito anos com a economia operando abaixo da capacidade máxima, mas esse cenário mudou no início de 2023. Desde então, o Produto Interno Bruto (PIB) vem registrando crescimento mais acelerado, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias e pelos gastos públicos.
Mesmo com juros elevados, a demanda segue aquecida, especialmente por causa do mercado de trabalho, que continua forte e com desemprego em níveis historicamente baixos. Isso faz com que o consumo permaneça alto, mesmo diante do encarecimento do crédito e das tentativas do Banco Central de controlar a inflação.
O Banco Central já considera o hiato positivo da economia um dos principais fatores de risco para a inflação brasileira. Segundo o Comitê de Política Monetária (Copom), o crescimento acima da capacidade produtiva pode manter os preços elevados por mais tempo e dificultar o controle inflacionário.
Os dados também mostram que os investimentos ainda não voltaram aos níveis históricos. A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede investimentos da economia, permanece abaixo do pico registrado em 2013, enquanto o consumo das famílias segue próximo dos maiores níveis já registrados no país.
Para economistas, o desafio do Brasil é aumentar investimentos em infraestrutura, produção e indústria para ampliar a capacidade produtiva sem gerar pressão inflacionária. Caso contrário, o crescimento da economia pode continuar acompanhado de juros altos e aumento do custo de vida para a população.
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