Haddad afirmou que os juros seguem altos sem necessidade, mesmo com a crise internacional. (Foto: ABrasil)Fernando Haddad afirmou nesta sexta-feira, (1º), que os juros no Brasil continuam altos demais e já poderiam ter caído mais. Ao comentar o cenário econômico após ato do Dia do Trabalho em São Bernardo do Campo, o ex-ministro da Fazenda disse que a guerra envolvendo Donald Trump é um fator grave de instabilidade, mas não suficiente para justificar a manutenção da taxa em um nível tão elevado.
A declaração foi dada dois dias depois de o Comitê de Política Monetária reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. Para Haddad, o corte foi insuficiente diante das condições da economia. “Eu não canso de dizer que os juros estão muito altos, não há necessidade disso. Agora, nós estamos com um episódio grave, que é a guerra do Trump, que está atrapalhando o mundo inteiro, mas já dava para ter caído mais os juros”, afirmou.
A fala recoloca no debate a pressão por uma queda mais forte da taxa básica, tema que segue no centro das discussões entre governo, mercado e Banco Central. Mesmo reconhecendo o peso da crise internacional, Haddad sinalizou que vê espaço para uma política monetária menos restritiva.
Durante a agenda, ele também foi questionado sobre o impacto de derrotas recentes do governo no Congresso, especialmente em relação à chamada PEC 6×1. Haddad disse que os assuntos não devem ser misturados e afirmou que a proposta ligada à jornada de trabalho representa uma demanda dos trabalhadores.
Ao tratar do tema, o ex-ministro afirmou que o 1º de Maio é uma data para celebrar conquistas do governo, mas também para reforçar cobranças ao Congresso. Segundo ele, é preciso enfrentar o debate sobre a jornada de trabalho.
Haddad ainda comentou declaração do ex-ministro Aldo Rebelo, que classificou a economia brasileira como um “voo de galinha”. O petista rebateu a crítica e disse lamentar a posição do ex-aliado, afirmando que ele não estaria acompanhando os indicadores de crescimento e comparando de forma equivocada o atual governo com a gestão anterior.
A principal marca da fala, porém, foi a crítica ao patamar da Selic. Ao insistir que os juros seguem acima do necessário, Haddad mantém a pressão política por cortes mais intensos em um momento de incerteza externa e desaceleração gradual da taxa básica.
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