Jorge Messias em sabatina nesta quarta-feira (29). ( Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou repercussão internacional e foi interpretada como um episódio raro na política brasileira, com impacto direto no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A indicação, que havia sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), acabou barrada no plenário do Senado na quarta-feira (29), com 42 votos contrários e 34 favoráveis. Trata-se da primeira recusa a um indicado ao STF em 132 anos, desde o governo de Floriano Peixoto.
Veículos internacionais destacaram o caráter incomum da decisão. O jornal espanhol El País classificou o resultado como uma derrota histórica e apontou que o episódio levanta questionamentos sobre a capacidade de articulação política do governo no Congresso. A publicação também mencionou desgaste na relação entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A agência Associated Press, com conteúdo reproduzido por veículos como The Washington Post, descreveu a rejeição como um sinal de fragilidade política e um revés imposto por parlamentares. O texto também citou divergências entre Lula e Alcolumbre, que teria defendido outro nome antes da indicação de Messias.
Na Argentina, o jornal Clarín apontou o resultado como uma derrota significativa para o governo e destacou que a administração federal terá de apresentar um novo nome para ocupar a vaga no STF.
Cenário político
Outras análises relacionaram o episódio a disputas políticas mais amplas. A Bloomberg indicou que a escolha de Messias fazia parte de uma estratégia de aproximação com setores religiosos e de ampliação de apoio político. A reportagem também mencionou o fortalecimento de grupos parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um dos fatores que contribuíram para o desfecho.
Já a Reuters destacou o esforço do governo para tentar garantir a aprovação, classificando a articulação como um movimento de grande alcance junto a senadores de diferentes correntes políticas. A tentativa incluía a defesa de que o indicado poderia contribuir para reduzir tensões entre o Congresso e o STF.
Nos bastidores, o governo intensificou negociações nas semanas que antecederam a votação. Dados indicam que, de um total de R$ 12,7 bilhões liberados em emendas parlamentares desde o início do ano, mais da metade foi empenhada após a segunda quinzena de abril. Desse montante, R$ 9,3 bilhões foram destinados a deputados, R$ 2,5 bilhões a senadores, além de valores menores para bancadas estaduais e comissões.
Com a rejeição, o governo federal precisará encaminhar um novo nome para análise do Senado.
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