Rendimento médio do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026, segundo o IBGE. (Foto: José Cruz)O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026, o maior valor da série histórica da Pnad Contínua, levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciado em 2012. Na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço foi de 5,5% acima da inflação, o que reforça um cenário de ganho real da renda do trabalho no país.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 30 de abril, pelo IBGE, no Rio de Janeiro, e mostram que o mercado de trabalho começou 2026 combinando aumento no rendimento, queda do desemprego e redução da informalidade. O conjunto desses indicadores ajuda a explicar por que a renda média atingiu um novo recorde.
Esse foi o segundo trimestre seguido em que o rendimento médio ficou acima de R$ 3,7 mil. No período encerrado em fevereiro, o valor havia sido de R$ 3.702. Já na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando a média estava em R$ 3.662, a alta foi de 1,6%.
O resultado revela um movimento importante no mercado de trabalho. Embora a ocupação tenha recuado em relação ao fim do ano passado, a renda média subiu. Segundo o IBGE, isso pode estar ligado tanto ao reajuste do salário mínimo quanto à saída de parte dos trabalhadores informais da população ocupada, um grupo que, em geral, recebe menos.
A coordenadora de pesquisas domiciliares do instituto, Adriana Beringuy, apontou que o aumento do salário mínimo, reajustado para R$ 1.621 no início de janeiro, pode ter contribuído para o avanço do rendimento médio. Segundo ela, o novo valor ajudou na recomposição salarial e também trouxe ganhos reais.
Outro fator destacado pelo IBGE foi a redução de cerca de 1 milhão de pessoas ocupadas na comparação com o quarto trimestre de 2025. Essa queda ficou mais concentrada entre trabalhadores informais. Com menos pessoas nessa faixa de menor remuneração, a média geral de renda dos ocupados acabou puxada para cima.
Além do recorde no rendimento médio, a pesquisa mostrou que a massa de rendimento real dos trabalhadores também alcançou o maior patamar da série histórica, chegando a R$ 374,8 bilhões. Esse indicador representa a soma de todos os salários recebidos pelos trabalhadores e serve como termômetro da capacidade de consumo da população.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a massa salarial cresceu 7,1% acima da inflação, o equivalente a R$ 24,8 bilhões a mais circulando na economia em um intervalo de um ano. É um dado relevante porque esse dinheiro tende a impactar diretamente o consumo das famílias, o pagamento de dívidas, a poupança e os investimentos.
O levantamento do IBGE também apontou melhora no nível de proteção social dos trabalhadores. A parcela de ocupados que contribuem para a Previdência chegou a 66,9%, o maior percentual já registrado pela pesquisa. Isso representa 68,174 milhões de trabalhadores com algum tipo de cobertura previdenciária.
Esse grupo inclui empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e pessoas que atuam por conta própria e contribuíram para institutos de previdência oficial federal, estadual ou municipal. Na prática, a contribuição garante acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte.
Segundo Adriana Beringuy, o recorde de contribuição previdenciária está diretamente ligado à queda da informalidade. Isso porque trabalhadores informais costumam contribuir menos para o sistema. O dado reforça a leitura de que o mercado de trabalho começou 2026 com uma composição mais favorável do ponto de vista da formalização.
A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada no trimestre encerrado em março, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores informais. No fim de 2025, esse índice estava em 37,6%. No primeiro trimestre do ano passado, era de 38%.
Apesar da queda, o contingente ainda é elevado e mostra que uma parte significativa dos brasileiros continua trabalhando sem direitos trabalhistas garantidos. O próprio IBGE ressalta, no entanto, que um trabalhador informal pode contribuir individualmente para o INSS, como ocorre com parte dos autônomos sem CNPJ.
Nos grupos de atividade pesquisados, a maior parte ficou com rendimento estável. Dos dez segmentos analisados pelo IBGE, oito não apresentaram variação significativa no salário médio. As altas apareceram em dois setores: comércio, com crescimento de 3%, o que representa mais R$ 86, e administração pública, com avanço de 2,5%, ou R$ 127 a mais.
Outro dado que reforça o quadro favorável é o desemprego. A taxa ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026, a menor já registrada para esse período na série histórica da Pnad Contínua. O índice ajuda a mostrar que, mesmo com oscilações sazonais no começo do ano, o mercado de trabalho segue em um patamar mais aquecido do que em anos anteriores.
A pesquisa considera como desocupada apenas a pessoa que efetivamente procurou trabalho nos 30 dias anteriores à entrevista. A Pnad Contínua é hoje o principal retrato do mercado de trabalho brasileiro e leva em conta diferentes formas de ocupação, incluindo empregos com e sem carteira assinada, trabalho temporário e atividade por conta própria.
O levantamento é feito em 211 mil domicílios espalhados por todos os estados e pelo Distrito Federal. Por isso, os números divulgados pelo IBGE são usados como referência para medir tendências de emprego, renda e informalidade no país.
Os dados do primeiro trimestre mostram, portanto, um mercado de trabalho em que a renda avança em ritmo superior à inflação, a massa salarial cresce, a contribuição previdenciária bate recorde e o desemprego recua. Ao mesmo tempo, a informalidade continua elevada, o que indica que ainda há desafios importantes pela frente.
O principal destaque, porém, está no bolso do trabalhador. Ao alcançar R$ 3.722, o rendimento médio mensal renova o recorde da série histórica e consolida um início de ano marcado por melhora nos indicadores do trabalho. Mais do que um número isolado, o resultado ajuda a explicar por que a renda ganhou espaço no centro do debate econômico em 2026.
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