Estudo aponta que incêndios alteram composição da floresta amazônica ao longo do tempo (Foto: Paulo Brando)Após duas décadas de pesquisa na Amazônia, cientistas apontam que os incêndios florestais têm provocado mudanças profundas na vegetação, com perda de biodiversidade e alteração na composição das espécies, especialmente nas áreas de borda da floresta.
O estudo, iniciado em 2004 e publicado nesta segunda-feira (20) na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), acompanhou os efeitos de queimadas controladas em uma área de transição entre a Amazônia e o Cerrado, no município de Querência (MT).
Os resultados mostram que, embora as queimadas frequentes causem degradação ambiental significativa, não houve evidência de savanização, processo em que a floresta passaria a apresentar características típicas de savana, como menor densidade de árvores e maior presença de gramíneas.
Segundo os pesquisadores, o principal impacto observado foi a substituição de espécies típicas da floresta por espécies generalistas e pioneiras, mais adaptáveis a ambientes degradados. Em áreas mais afetadas, essas plantas chegaram a representar até 93% da vegetação nas bordas.
O estudo também identificou que a frequência das queimadas influencia diretamente os danos. Incêndios realizados a cada três anos causaram maior mortalidade de árvores do que aqueles ocorridos anualmente, devido ao acúmulo de biomassa, que intensifica o fogo.
Outro ponto observado foi o papel das gramíneas invasoras, que se proliferam após as queimadas e contribuem para um ciclo de repetição do fogo, aumentando a vulnerabilidade da floresta a novos incêndios.
Com o tempo, a regeneração ocorre, mas de forma lenta e com mudanças estruturais. Muitas espécies típicas da Amazônia não retornam após o fogo, o que pode afetar toda a cadeia ecológica, incluindo animais que dependem dessas plantas.
Apesar disso, o interior da floresta apresentou maior estabilidade, com menor impacto na biodiversidade, indicando que os efeitos mais intensos estão concentrados nas áreas de transição.
Para os pesquisadores, os resultados mostram que a Amazônia tem capacidade de regeneração, mas com alterações que podem persistir por longos períodos, exigindo atenção contínua diante do aumento da frequência e intensidade dos incêndios.
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