Poucos dias após reassumir a Prefeitura de Terenos, o prefeito Henrique Budke (PSDB) determinou a suspensão do expediente nos órgãos da Administração Direta entre esta segunda-feira (29) e quarta-feira (1º). A medida foi oficializada pelo Decreto nº 7.917/2026, publicado no Diário da Assomasul, e tem como justificativa a reorganização administrativa após o retorno do gestor, que permaneceu cerca de oito meses afastado do cargo em decorrência da Operação Spotless.
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Segundo o decreto, o período será destinado à realização de levantamentos, conferências, ajustes operacionais e alinhamentos internos entre os órgãos da administração municipal. A suspensão não atinge os serviços essenciais, que seguirão funcionando em regime de escala, como saúde, limpeza pública, coleta de resíduos, segurança patrimonial, atendimento de urgência e emergência e demais atividades cuja interrupção possa comprometer o interesse público. Os prazos administrativos que venceriam durante o período foram prorrogados para quinta-feira (2).
A reassunção de Budke foi oficializada com efeito retroativo a 25 de junho, após decisão do ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que revogou seu afastamento. Apesar do retorno ao cargo, o prefeito continua submetido a medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de manter contato com investigados e testemunhas, a vedação de atuar em contratos e licitações relacionados à Operação Spotless e o impedimento de firmar novos contratos com empresários e empresas denunciados na ação penal.
A suspensão do expediente não foi o primeiro ato de Budke após voltar ao comando do Executivo. Na última quinta-feira (25), ele rescindiu unilateralmente cinco contratos administrativos de obras e serviços. Entre as empresas atingidas estão a Bonanza Comércio e Serviços Ltda. e a HG Empreiteira & Negócios Ltda., ambas citadas nas investigações da Operação Spotless, além da RS Construções & Serviços Ltda. EPP, Sansão Inácio Rezende Eireli-ME e Genilton da Silva Moreira-ME.
Conforme os atos publicados pela Prefeitura, quatro rescisões foram fundamentadas na inexecução total dos contratos, além da conveniência administrativa e da inviabilidade da continuidade da execução contratual. No caso da RS Construções, a justificativa foi a suspensão do contrato. Todos os atos também mencionam a suspensão cautelar prevista no Decreto Municipal nº 7.520/2025.
Deflagrada em setembro de 2025 pelo Gaeco e pelo Gecoc, a Operação Spotless investiga um suposto esquema de fraude em licitações, direcionamento de contratos e pagamento de propina na Prefeitura de Terenos. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, as irregularidades teriam causado prejuízo superior a R$ 15 milhões apenas no período analisado, e Budke é apontado como líder da suposta organização criminosa. O prefeito nega as acusações, afirma ser inocente e responde ao processo em liberdade.
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