A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (27) as operações Zehirut e Charitzut para investigar possíveis irregularidades em aplicações financeiras realizadas por institutos de previdência de servidores públicos de Angélica e Fátima do Sul, em Mato Grosso do Sul. As investigações apuram investimentos de aproximadamente R$ 9 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, instituição que se tornou alvo de investigações nacionais após denúncias envolvendo operações financeiras consideradas de alto risco.
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A ofensiva é conduzida pela Delegacia da Polícia Federal em Dourados e mobilizou agentes em Mato Grosso do Sul e São Paulo. Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal.
Confira os alvos da operação:
- 7 mandados em Angélica;
- 1 mandado em Fátima do Sul;
- 1 mandado em São Paulo;
- afastamento cautelar de servidores investigados.
Segundo a PF, o objetivo é reunir provas para confirmar ou descartar hipóteses de gestão irregular, possível direcionamento indevido de recursos públicos e falhas na administração de investimentos previdenciários.
O foco principal da investigação envolve:
- IPA (Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Angélica), que aplicou cerca de R$ 2 milhões;
- IPREFSUL (Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Fátima do Sul), responsável por investimento estimado em R$ 7 milhões.
As aplicações ocorreram em 2024, por meio da compra de Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Auditorias e levantamentos preliminares apontaram suspeitas sobre a segurança e a viabilidade dos investimentos realizados com recursos destinados à aposentadoria de servidores municipais.
Os nomes das operações fazem referência, em hebraico, aos princípios de “prudência” e “diligência”, considerados essenciais na gestão de recursos públicos e fundos previdenciários.
As Letras Financeiras são ativos utilizados por instituições bancárias para captação de recursos de longo prazo. Especialistas do mercado financeiro apontam que esse tipo de investimento exige elevado rigor técnico e análise criteriosa, principalmente quando envolve dinheiro de fundos previdenciários municipais.
De acordo com as investigações, os institutos teriam mantido aplicações mesmo diante de alertas do mercado sobre os riscos envolvendo o Banco Master. A instituição financeira, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, entrou no radar de órgãos de fiscalização após suspeitas de inconsistências financeiras e operações consideradas arriscadas.
A Polícia Federal também apura se houve eventual participação de agentes públicos, gestores ou terceiros na aprovação e manutenção das aplicações financeiras investigadas.
O caso provocou forte repercussão política e administrativa em Mato Grosso do Sul devido ao temor de prejuízos aos fundos de aposentadoria de servidores municipais. Nos bastidores, existe preocupação sobre o tempo necessário para eventual recuperação dos recursos investidos.
Além de Angélica e Fátima do Sul, outros municípios sul-mato-grossenses também registraram investimentos ligados ao Banco Master.
Entre eles estão:
- São Gabriel do Oeste: cerca de R$ 3 milhões;
- Jateí: aproximadamente R$ 2,5 milhões;
- Campo Grande: cerca de R$ 1,2 milhão.
A tendência é que novas etapas da investigação avancem sobre outros contratos e aplicações financeiras realizadas por institutos previdenciários municipais em Mato Grosso do Sul.
Nos últimos meses, operações semelhantes já foram realizadas pela Polícia Federal em estados como Rio de Janeiro e Amapá, ampliando o cerco nacional sobre movimentações financeiras envolvendo recursos públicos previdenciários.
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